sexta-feira, 11 de junho de 2010

Proposta de tabela salarial do Blog do Euler


Como o governo apresentou uma proposta de mudança de carreira dos professores com alguns referenciais, mas não fixou uma tabela de salário, o nosso blog toma a iniciativa de apresentar uma proposta concreta de tabela salarial e alguns complementos:

Nível I - professor com licenciatura plena - Vencimento básico inicial - R$ 1.312,00 - jornada de 24 horas
Nível I - professor com licenciatura plena - Vencimento básico inicial - R$ 1.640,00 - jornada de 30 horas

Nível II - professor com especialização - Vencimento básico inicial - R$ 1.600,00 - jornada de 24 horas
Nível II - professor com especialização - Vencimento básico inicial - R$ 2.000,00 - jornada de 30 horas

Nível III - professor com mestrado - Vencimento básico inicial - R$ 1.952,00 - jornada de 24 horas
Nível III - professor com mestrado - Vencimento básico inicial - R$ 2.440,00 - jornada de 30 horas

Nível IV - professor com doutorado - Vencimento básico inicial - R$ 2.382,00 - jornada de 24 horas
Nível IV - professor com doutorado - Vencimento básico inicial - R$ 2.977,00 - jornada de 30 horas

Complementos:

1 - A presente tabela entra em vigor em 2010 e será reajustada anualmente no mês de janeiro de cada ano, de acordo com o previsto na Lei do Piso do Magistério - 11.738/08, ou com a inflação do ano anterior, obrigatoriamente pelo índice mais elevado entre as duas opções.

2 - Os servidores efetivos que concluiram o estágio probatório terão direito a uma primeira mudança de nível em até dois anos após a data da conclusão da etapa citada. A mudança ocorrerá através de título acadêmico (especialização) ou do exame de certificação oferecido pelo estado. Caso o estado não cumpra sua parte, a promoção ocorrerá automaticamente.

3 - Todos os servidores terão direito à promoção nos períodos previstos em lei para mudança de nível, através de título acadêmico ou de exame de certificação oferecido pelo governo. Caso este não o faça, ocorrerá a promoção automática dos servidores.

4 - A título de incentivo à docência, os professores em efetivo exercício receberão percentual de 20% sobre o vencimento básico.

5 - A carreira terá 15 (quinze) graus, de A a Q, com diferença de 3% entre graus sucessivos, que ocorrerá a cada dois anos.

6 - O Quadro Especial (professores com ensino médio e licenciatura curta) receberá como vencimento básico inicial 80% do vencimento básico inicial do professor de nível I mais o pó-de-giz.

7 - Caberá ao estado oferecer curso de formação superior (para quem possui ensino médio) ou complementação (para quem possui licenciatura curta) aos profissionais do Quadro Especial, de forma presencial ou semi-presencial, objetivando a extinção desse quadro num período máximo de 10 anos.

8 - Quem tiver dois cargos receberá integralmente os valores correspondentes a dois cargos (vencimento básico + pó-de-giz vezes dois) com jornada de 24 horas, diferenciando-se nos graus, proporcionalmente ao período de tempo de cada cargo.

9 - Os professores aposentados receberão, a título de reconhecimento pelos serviços prestados, 20% sobre o vencimento básico do nível e grau a que fazem jus.

10 - As jornadas serão cumpridas de acordo com a proposta do governo:

" Na jornada de 30h deverão ser ministradas 20ha, 5h serão cumpridas com atividades na escola e 5h serão destinadas a planejamento e estudos.

Na jornada de 24h deverão ser ministradas 18ha, 2h serão cumpridas com atividades na escola e 4h serão destinadas a planejamento e estudos."

Adendo do blog: Dentre as "atividades na escola" não estão inclusas quaisquer formas de regência de turma em sala de aula. Deve-se priorizar o trabalho interdisciplinar com os colegas, as reuniões com as supervisoras, os cursos de formação continuada e a pesquisa acadêmica para o aprimoramento do ensino.


Então, o que vocês acharam da minha proposta de tabela salarial?

8 comentários:

  1. Ah... Li rápido e até estava acreditando... risos... Por que você não se torna um representante nosso? Pense... Caso decida pelo Sim, votarei em você para representar a nossa classe "Educadores"

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  2. Excelente, é esta proposta que estamos aguardando, não podemos sair desta briga sem um salário condizente com o nível de exploração que estamos submetidos há décadas e décadas...

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  3. Eu gostaria de saber se na escola só tem professores. O especialista e outros são coniderados o que? Não há referência algunma sobre eles, que trabalham tanto ou mais do que certos profissionais professores.Será que o sindicato e outros só enxergam professores nas escolas? É revoltante trabalhar tanto para dar condições de trabalho e ensino-apredizagem e não ser reconhecidos em momento algum.

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  4. A proposta feita para os professores é excelente, gostei muito. Boa sorte para vcs.

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  5. Olá, colega Eliane!

    Claro que não esquecemos os demais colegas da Educação. Fiz uma proposta de tabela para os professores porque é a carreira cuja tabela servirá de referência para as demais. Um especialista, por exemplo, não receberá salário menor do que um professor. E outras carreiras terão no salário inicial dos professores a referência para as correções das respectivas tabelas. Pelo menos é isso que nós defendemos.

    Mas, entre o que nós defendemos e o que o governo vai ceder vai uma longa distância, que dependerá de muita pressão e luta.

    Nenhuma carreira da Educação poderá ser esquecida nesta luta e nas conquistas.

    Um abraço,

    Euler

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  6. João Paulo Ferreira de Assis12 de junho de 2010 20:22

    Parabéns pela proposta. É muito boa. Principalmente a de interdisciplinaridade. Imagine o professor de Português mandando os alunos analisar a frase ''O Piso é Lei. Faça valer''. Ou a de Matemática, passando as tabelas salariais vigentes para os alunos e mandando que eles façam exercícios sobre quantos itens da cesta básica daria para comprar com a tabela salarial dos professores. O de História mostrando que o Governo Português criou escolas de primeiras letras em Minas, e para pagar os professores mandou cobrar o ''Real subsídio literário'' dos açougueiros. Os professores, então chamados ''mestres régios'' lecionaram 30 anos sem receber um salário sequer. E isto devido aos governadores mineiros terem passado a mão grande no imposto. Os mestres só não morreram a míngua, porque quase todos eram padres. E assim outros conteúdos também participariam. Atenciosamente João Paulo.

    PS: o calote dado nos mestres régios está noticiado em José Ferreira Carrato, ''A Igreja, o Iluminismo e as Escolas mineiras coloniais''.

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