segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Ao eleger Dilma, o povo brasileiro derrotou a mídia golpista. Viva o Brasil dos de baixo!




Lula define bem a "revista" (aspas) Veja: um panfleto dos tucanos.



Deputado Rogério Correia, reeleito, faz um balanço sobre as eleições presidenciais e critica a ação da mídia, especialmente da "Veja bandida".




Somente agora à noite, um dia após a fantástica e maravilhosa vitória de Dilma e do povo brasileiro nas eleições de 2014, é que tive tempo para escrever algumas linhas de análise. O Brasil dos de baixo está de parabéns! Não é pouca coisa vencer o poder econômico dos banqueiros, vencer a mídia golpista que intoxica as mentes diariamente de milhões de pessoas; vencer os preconceitos contra negros, nordestinos, mulheres, que os de cima tratam como "coisas desse tipo" - lembram-se? Pois é. Foi uma noite tensa, até às 20h do domingo chuvoso, por aqui. Chuva muito bem vinda, que tem faltado a São Paulo, cujos habitantes, não todos, claro, estão quase irremediavelmente perdidos pela cegueira ideológica de uma lógica neoliberal, neofascista e neo-tudo-de-ruim que é expressa pela mídia.

Ah, Dilma, sua vitória foi emocionante. Não somente pelo coração valente que pulsa na presidenta agora reeleita. Dilma é mulher coragem, que enfrentou a ditadura, enfrentou até o câncer; enfrentou as vaias de uma elitezinha incapaz de pensar o mundo criticamente - a crítica que eles fazem do Brasil é a mais banal do mundo, mera repetição ideológica contra Cuba, Venezuela, contra os pobres. Que pobreza intelectual dessa gente que pensa que está abafando. Dilma enfrentou tudo, às vezes sozinha, como no caso das vaiais nos estádios, vinda de cretinos que frequentavam o acontecimento que diziam ser contra.

Mas, para além da vitória dessa guerreira chamada Dilma - pulsa nela um misto da guerrilheira dos anos 60, do Brizola e do Lula -, para além disso, o que não é pouco, destaco a vitória do povo, dos de baixo. Porque a campanha acabou assumindo um confronto de classe entre ricos e pobres, entre assalariados e banqueiros, entre os de baixo, beneficiados pelos programas sociais do governo, e os de cima, que sempre mamaram nas generosas tetas do estado, mas que adoram posar de "competentes" individuais, de vitoriosos pela meritocracia. Puro papo furado.

Aliás, a maioria dos ideólogos da meritocracia, do neoliberalismo, da eficiência do setor privado sobre o estado, em geral é formada por pessoas que mamaram ou mamam nas tetas do estado. Mais do que qualquer cidadão comum. Muito mais. A bolsa família desses cretinos - não vou citar nomes para não ser processado - é muito superior às bolsas famílias dos pobres, que ganham para sobreviver com dignidade, enquanto os canalhas de cima ganham para se lambuzar, desperdiçar, rasgar dinheiro em noitadas ou com imóveis de luxo.

Poderia citar aqui jornalistas, políticos, comentaristas, especialistas, que vivem ditando regras do que seria um mundo civilizado para os de baixo, quando eles, na prática, não vivem nunca sem as generosas verbas dos governos. O que mata essa gente de ódio é quando a esquerda fala em distribuir rendas, repartir melhor o pão, a terra, a água, os espaços, enfim. Isso eles odeiam, porque querem as coisas para eles, apenas.

Eles odeiam o fato dos de baixo agora poderem andar de avião, viajar pelo mundo, fazer cursos no estrangeiro bancado pelo governo federal - morram de raiva, neoliberais! Odeiam saber que os nordestinos, brava gente que orgulha o Brasil, que tem os melhores poetas, cantores, trabalhadores dos diversos ofícios, o bravo povo nordestino, dizia, soube ser grato aos governos Lula e Dilma, retribuindo mais uma vez, com uma vitória que salvou o Brasil de experiências que deixaram estragos irreparáveis.

Desta vez até o povo mineiro, tratado antes como curral eleitoral de um esquemão de poder que perdurou por 12 anos, levantou-se! Ainda que tardia, a liberdade em Minas começa a surgir. Minas foi sufocada por um esquema midiático cuja expressão mais forte está concentrada aqui na região da Grande BH. A Capital mineira e seu entorno, que deveriam dar o melhor exemplo, simplesmente se curvaram à ladainha vazia de rádios e jornais e TVs de aluguel a serviço dos grupos que dominaram o poder em Minas nos últimos anos. Foi preciso novamente que o Norte de Minas, além de outras regiões, demonstrasse uma resistência crítica ao ataque ideológico dos tucanos. A maioria do povo mineiro deu o melhor exemplo para o Brasil, salvou o Brasil, diria, de um retrocesso que ameaçava o país. Viva o povo mineiro, sobretudo os de baixo! Viva os educadores de Minas, tão castigados nos 12 anos de governos tucanos.

Mas, para além das regiões com suas características - o Rio de Janeiro também deu vitória para Dilma, além do Norte - para além dessas diferenças regionais, dizia, houve um corte de classe claro, que caracterizou o eleitorado de Dilma. O proletariado brasileiro, na sua maioria, votou em Dilma. Os de baixo de todo o país votaram em Dilma, porque a candidatura da nossa presidenta sintetizou a repulsa por tudo o que representam os interesses dos de cima. Foi um voto contra a mídia golpista, que manipula e tenta deformar a opinião das pessoas com valores e interesses dos banqueiros, dos grupos de rapina internos e externos; foi um voto contra as elites dominantes, preconceituosas e colonialistas, herdeiras de um legado de exploração ao  nosso povo; foi um voto, enfim, pela continuidade das conquistas sociais e de mais avanços em favor dos de baixo.

Que desabe a bolsa de valores, que entre em crise terminal. O nosso povo não tem ações nas bolsas. O nosso povo é um povo simples, que quer educação de qualidade, quer saúde de qualidade, quer trabalho com condições adequadas e aumentos reais de salários; quer sonhar com um mundo melhor, mundo este que se pode dizer com segurança que a bolsa de valores e a mídia com seus palpiteiros de economia e de política não nos representam!

Portanto, a vitória da presidenta Dilma transcende inclusive o discurso formal da candidata, com todos os limites que o cargo lhe impõe. É a vitória dos de baixo, que reúne os sonhos da esquerda revolucionária, com a maioria das correntes de esquerda, aos mais diretos interesses dos de baixo. Sim, porque a maioria do povo brasileiro escolheu por instinto de classe, sentiu no estômago, na casa própria, na universidade que o filho estuda, no emprego ameaçado, no carro novo que agora pode comprar, enfim, nas condições de vida que melhoraram para a grande maioria do nosso povo. E que a elite queria que se mantivessem - as melhores condições - somente para ela.

A partir dessa importante vitória da presidenta Dilma, que derrotou mais uma vez a tentativa de golpe na boca da urna do esquemão mafioso Veja-Globo-Folha e afins, novos horizontes se abrem. Que ninguém pense que será fácil a partir de agora, que reelegemos a presidenta Dilma. Nada disso. A nossa luta contra os de cima não se resolve numa batalha, apenas, seja numa greve, como foi a nossa de 112 dias, lembram-se? -, seja numa eleição para presidente. Claro que eleger uma presidenta ligada aos interesses dos de baixo tem um simbolismo todo especial.

Mas, o esquema de poder que domina o estado é mais amplo e perigoso do que a presidência da República. Ainda se mantêm de pé estruturas fortíssimas que jogam contra o povo. Exemplos? A mídia golpista, controlada por meia dúzia de famílias que ninguém elegeu para cargo algum e que têm o poder de tentar impor a agenda do que é certo ou errado; do que se deve ou não tratar como prioridade; de qual o caso de corrupção será o foco das atenções - sempre contra o PT , e quais os casos serão escondidos, e por aí vai. Destruir este monopólio precisa ser o centro da luta de todos os movimentos sociais, de todo cidadão brasileiro. Foi graças a esta criminosa mídia que por pouco o Brasil jogava fora os 12 anos de conquistas sociais dos governos Lula e Dilma. (Viva o Nordeste! Viva o povo mineiro e carioca e do Norte, que nos salvaram desta praga que queria se apropriar do país! Fecha aspas).

Além de quebrar o monopólio da mídia, é preciso fortalecer os movimentos sociais, que por sua vez precisam criar mecanismos menos burocratizantes de participação, até que formemos um forte movimento social dos de baixo capaz de pressionar os aparatos do estado em favor da maioria do povo brasileiro. O Congresso Nacional e a Justiça, por exemplo, são historicamente instrumentos das elites. Agem por pressão de uma mídia dominada por meia dúzia de capitalistas serviçais dos piores interesses. Para quebrar esta relação de forças, não basta eleger a presidenta. Claro que isso é muito importante. Do contrário teríamos um presidente afinado com as elites, desenvolvendo políticas de arrocho salarial, dividindo e enfraquecendo as categorias de trabalhadores - como Aécio e Anastasia conseguiram fazer em Minas com os educadores. Ter um presidente - melhor, uma presidenta, que nos respeita e que se preocupa com os problemas sociais é um dado da maior relevância. Quem fez campanha contra Dilma no segundo turno terá grande dificuldade de entender essa realidade.

É preciso apoiar a presidenta Dilma no enfrentamento que ela fará contra os de cima, e nas reformas que são necessárias. Reformas e reformas. Para as elites, as reformas fortalecem os seus interesses de classe. Para nós, as reformas que nos interessam são aquelas que resultem em melhores condições de vida, de trabalho, de lazer, de cultura, para milhões de pessoas, especialmente os de baixo. Mais controle social e transparência na vida pública, mais políticas de distribuição de renda para os de baixo, mais políticas sociais de saúde pública de qualidade, educação de qualidade, com melhores salários e carreira para os profissionais da Educação; mais apropriação do patrimônio público, do pré-sal, das riquezas do nosso território, pela maioria do povo brasileiro, pelos de baixo, enfim. No cenário externo, mais intercâmbio e solidariedade com os povos da América Latina e do mundo.

Dilma tem todas as condições de fazer um segundo governo ainda mais comprometido com os interesses da maioria do povo brasileiro. Ela sabe que foi eleita pelos de baixo, principalmente, embora tenha recebido apoio até mesmo de setores da classe média alta e das elites mais lúcidas. As políticas públicas em favor da maioria - moradia, saneamento, educação, saúde, segurança, mobilidade urbana - devem ocupar a principal fatia do orçamento público.

É por isso que temos que acompanhar todo o processo que definirá os rumos das políticas públicas nos próximos anos. Elegemos Dilma, com muito orgulho, para que se mantenham e fortaleçam os programas sociais. E também para que se avance em áreas que até agora se mantiveram intocadas: o monopólio da mídia, a questão agrária, e a revisão da dívida pública - três problemas estruturais que emperram as transformações mais profundas em favor dos de baixo.

Para além de todo esse quadro que alinhavei em poucas palavras, o nosso momento agora, contudo, é o de comemorar. De soltar o grito que estava preso na garganta; de festejar a derrota de um mal maior que quase se apropriou dos nossos destinos. Um pesadelo que ameaçou cair na nossa cabeça, mas que o povo brasileiro, de forma muito altiva, muito firme, soube impedir. O povo brasileiro resistiu heroicamente aos golpes da mídia, não se deixou seduzir pelas promessas ocas, e escolheu o melhor caminho. Nós, os de baixo, demos o nosso recado claro nas urnas: queremos que os avanços sociais continuem, mas queremos que estes avanços se façam acompanhar de um debate político enriquecedor; queremos disputar sim com os de cima, não apenas em épocas de eleição, mas durante todo o tempo, defendendo os nossos interesses, a nossa visão de mundo, e não apenas recebendo através de TVs e rádios e jornais a visão de mundo dos de cima. Nós, os de baixo, queremos que a nossa visão de mundo seja colocada em debate a todo instante. É o mínimo que a democracia que conquistamos precisa garantir: que tenhamos o direito de comer, de morar, de consumir bens, mas acima de tudo, de sonhar com um mundo diferente, melhor para todos.

Viva a vitória de Dilma!
Viva o povo brasileiro!
Viva os interesses de classe dos de baixo!
Viva a nossa capacidade de resistir, de lutar e de sonhar com um mundo melhor, apesar da máfia midiática que tenta roubar os nossos sonhos!

Um forte abraço a todos e força na luta! Até a nossa vitória!

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