quarta-feira, 23 de julho de 2014

Estão dizimando os palestinos e a Palestina. Até quando?



   

Desesperado, corro em disparada, aflito, atravessando a noite escura, coberta por clarões, cruzando becos e ruas, ante ao bombardeio infernal de demônios em forma de seres que teleguiam aviões de guerra e tanques. Sinto as balas atravessando o meu frágil corpo, perfurado também por pólvora e estilhaços de mísseis. Sou palestino, estou em Gaza, um dos poucos refúgios, transformado no maior campo de concentração a céu aberto, onde dezenas de milhares de irmãos palestinos sobrevivem cercados, humilhados, atacados diariamente. Somos um povo desarmado, com fome, com sede, enfrentando um dos mais poderosos exércitos do planeta. Exército do mal, sionista, nazista, invasor, que tomou nossa terra, nos expulsou, nos humilhou, e agora quer nos aniquilar fisicamente. Nossas crianças estão sendo dizimadas por bombas, e as que sobrevivem, carregam o terror no que restou de inocência de uma infância negada por políticas criminosas, terroristas de estado, de grupos que deveriam ser julgados pelas barbáries que cometem.

Uma ironia. O estado que se diz representante do povo judeu, justamente um povo que durante séculos foi humilhado, perseguido, eliminado fisicamente, torna-se a expressão acabada dos seus algozes. Submete os palestinos às mesmas torturas e dores que o povo judeu, semita como os árabes palestinos, fora submetido. O escritor e pensador Eduardo Galeano lamenta: a Palestina está sendo destruída por Israel, riscada do mapa. Um território que era antes a Palestina, habitado majoritariamente por palestinos, que conviviam pacificamente com judeus e cristãos, é agora o cenário de destruição. Israel, estado dominado por sionistas que não conhecem o diálogo, a compaixão, o perdão. Seus filhos são educados para odiar palestinos, odiar aos árabes. Para eles - eles, bem entendido, os sionistas, não confundindo com o povo judeu -, os palestinos são apenas seres inferiores que devem ser escravizados ou eliminados. Tal como agiu o Ocidente, com seus impérios, contra africanos, asiáticos e latino-americanos. Milhões foram massacrados, ou escravizados.

O que acontece em Gaza hoje é uma amostra de como o Ocidente tratou as tribos africanas ou indígenas. E é como eles continuam tratando a humanidade, em busca de mais lucro para poucos, mais poder, mais riqueza, mais terras, mais sangue. Carniceiros. Com sua mídia amestrada, cujos comentaristas e jornalistas e editorialistas bem pagos, salvo raras e honrosas exceções, não passam de canalhas a serviço destes interesses neoliberais e mafiosos. Querem o nosso sangue, a nossa vida, desde que seja para manter a máquina de guerra e do lucro em funcionamento. Querem a nossa vida, para que sejam mantidos os altos negócios de um mercado da morte e seus podres poderes.

Quando vejo este cenário, eu me sinto assim: um negro africano escravizado e torturado; um indígena dizimado, expulso de suas terras, com sua cultura destruída; um palestino massacrado pela máquina de guerra do criminoso estado de Israel. Enquanto as balas atravessam meu corpo em fuga, enquanto vejo as mães carregando seus filhos em desespero e pranto pelas ruas de Gaza, solto um grito por socorro. Onde estão vocês, irmãos de todo o mundo, que não se levantam para nos salvar deste massacre? A próxima vítima deste terror de estado pode ser você, sua família, seus filhos. Quando o dragão do mal, sedento por mais terras, mais petróleo, mais prata e ouro, mais água potável, mais poder, mirar a sua chama incendiária em sua direção, espero que haja quem possa socorrê-lo. Porque neste momento, eu, palestino, africano, indígena latino-americano, estou sendo dizimado, sem que praticamente ninguém venha me salvar.

Vejo manifestações de protesto pelas ruas de vários países. São vozes sensíveis, gente que ama a vida, ama o próximo, ama a humanidade, um leve e importante sopro de esperança, que infelizmente não consegue parar as balas, os mísseis e os tanques. Os estados formais, com seus exércitos, tanques, bombas e armas letais, estão todos praticamente mudos. Divulgam notas de protesto, como faz a ONU, que se limita a condenações formais sem qualquer força real. Por que não organizam um boicote total contra Israel, uma condenação internacional com força capaz de fazer tremer o mais sanguinário dos generais do exército criminoso? Que nada. Fazem isso contra Cuba, que não tem armas atômicas para se defender, nem a proteção covarde do gigante norte-americano. Os países mais poderosos do mundo, quase todos dominados por gangsteres, estão gostando do massacre. Aparecem nas TVs com discursos ocos, alguns até mesmo com a cretinice de considerar o estado de Israel e o Hamas como duas forças iguais. Mais ou menos como comparar toda a força bélica - inclusive a nuclear - dos EUA com os arcos e flechas de algum povo indígena brasileiro.

Depois de décadas de destruição, com que presente e futuro podem os palestinos sonhar?

Ahhhh, sonhos! Sonhos? Pesadelos! E pensar que há dois dias eu vi a mídia brasileira estampando como manchete de capa que os brasileiros teriam que adiar os seus sonhos porque o governo federal havia rebaixado a previsão de crescimento do PIB deste ano de 2,5% para 1,8%. A mídia tucana, favorável aos tanques de Israel, apresentava a notícia como se fosse uma bomba sobre os sonhos de milhões brasileiros. Quem dera se os problemas dos palestinos se resumissem a 0,5% do PIB. Que PIB? Eles não têm estado, porque o território deles foi invadido por decisão das potências militares do Ocidente, logo após a Segunda Guerra Mundial. Os chefes dos estados do Ocidente, juntamente com os capitalistas donos do mundo, cansados, talvez, ou envergonhados, quem sabe, de maltratar aos judeus pobres que viviam na Europa durante décadas, decidiram, sem consultar aos palestinos, que era chegada a hora de encravar um estado judeu no território da Palestina. De 1947 até os dias atuais, todos os sonhos palestinos foram roubados, vilipendiados, suas casas destruídas, seus filhos violentados, executados, presos, torturados, banidos de suas terras.

Esta é a história deste bravo povo, que assistimos quase que como retrospectiva, do que aconteceu com outros povos em outros tempos, inclusive com os judeus, que tristemente agora, uma parte deles assume o papel de algozes, através de um estado que vive para a guerra, para a morte, para a destruição.

Que a humanidade ainda tenha alguma energia e disposição para impedir a continuação deste massacre, deste genocídio contra um povo. Os palestinos merecem viver. Merecem ter o seu território. Merecem sonhar com um amanhã melhor. Eles não têm culpa pelos genocídios alheios impostos pelo Ocidente contra judeus, ciganos, negros africanos, índios e tantos outros povos.

Viva a Palestina! Viva o bravo povo palestino! Que os criminosos de guerra do estado de Israel sejam julgados e punidos pelos genocídios cometidos em Gaza!


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P.S.: Na próxima semana volto aos temas de rotina, bem mais leves do que o que se passa em Gaza. Quis o destino que tivéssemos a sorte de nascer no Brasil, habitado por um povo feliz, multicultural, apesar da mídia tucana que espalha diariamente pessimismo, caos e ódio. Vivemos num país que realizou com sucesso a Copa das Copas, que acabou sediar o encontro de cinco grandes países - o Brics - para criar um banco internacional de desenvolvimento para fazer frente ao FMI, que não está em guerra com seus vizinhos - apesar da torcida da mídia tucana para que o Brasil invadisse a Bolívia, lembram-se?;

ou a Venezuela; um país que há 12 anos mantém a inflação baixa, por volta de 5% ao ano, com políticas de pleno emprego e aumentos reais de salário, tudo junto e combinado, para a tristeza dos neoliberais que desejam recolonizar o Brasil e entregá-lo para os países ricos do mundo.

Um forte abraço a todos e força na luta! Até a nossa vitória!

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Sugestões de consulta na Internet:

- Blog Viomundo
- Jornal GGN
- Diário do Centro do Mundo
- Blog Escrevinhador
- Blog do Miro
- Blog do Mello
- Revista Forum
- Blog O Cafezinho
- Blog Cloaca News
- Blog Conversa Afiada
- Blog Tijolaço
- Blog Socialista Morena
   
- Blog Maria Fro      
- Blog da Cidadania
- Carta Capital
- Telesur ao vivo
 
- TV NBR (do governo Federal)
- Portal EBC