domingo, 12 de abril de 2015

As manifestações de protesto e o golpe midiático paraguaio


Atualização em 20 de abril: Os pupilos dos tucanos na mídia estão desesperados. Hoje na RTI (Rádio Tucana Itatiaia), em Minas, o jornalista tucano Carlos Viana reclamava de FHC, por este ter dado declaração contrária ao impeachment sem base legal. Ele reclamou também do comportamento em cima do muro do PSDB. Ou seja, para ele, os tucanos deveriam ser o tempo todo agressivos e favoráveis à derrubada da presidenta Dilma.

O outro jornalista, Eduardo Costa, que já foi mais democrático, parece ter assumido de vez a linha dominante da rádio. Ele esteve na manifestação contra o governo Dilma no último dia 12 - aliás, fez campanha pela manifestação, dizendo, poucos dias antes, que as ruas de BH estariam lotadas. Foi um fiasco. Havia pouca gente, a julgar pelas fotos. E Eduardo, coitado, reclamou da ausência de Aécio, como se isso fosse alterar alguma coisa nessas manifestações.

A Itatiaia, juntamente com o jornal Estado de Minas e a Globo receberam rios de dinheiro do governo de Minas durante os 12 anos de gestão tucana. E fizeram uma blindagem tão forte aos tucanos que nem uma notícia negativa contra o governo era divulgada.

Aliás, eles continuam assim. Não deram a menor ressonância para a auditoria feita pelo governo Pimentel nas contas dos governos tucanos. O déficit zero virou R$ 7 bilhões de dívida. Obras paralisadas e graves problemas na Educação, na Saúde, em quase todas as áreas, enfim, demonstrando que o choque de gestão não passou de marketing.

Os jornalistas dessas emissoras de Minas até hoje não ouviram falar numa tal de Operação Zelotes, ou no caso HSBC, ou até mesmo na notícia mais recente do mensalão do blogueiro tucano de SP, que ganha R$ 70 mil por mês do Governo Alckmin para detonar o PT e a presidenta Dilma na Internet. Dinheiro público jogado no lixo. Para eles, corrupção é só quando envolve alguma figura ligada ao PT.

A suspeitíssima prisão de Vacari, por exemplo, nessa mais do que carimbada Operação Prende Petista - também conhecida como Lava Jato, feita sob encomenda pela Globo e tucanos, aí sim, eles divulgam a todo momento.

Ah, que falta nos faz uma regulação da mídia, especialmente nas concessões públicas, que se tornaram verdadeiros partidos políticos golpistas com aparência de rádios e TVs.


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Pimentel começa a cumprir o compromisso de pagar o piso

A mais recente proposta feita pelo Governo Pimentel ao sindicato da categoria apresentou melhoras em relação às propostas anteriores. Vou citar alguns pontos positivos e também os negativos: 1) o governo de Minas reconhece que não paga o piso salarial para os educadores, e com isso desmoraliza o discurso anterior, da gestão tucana, que dizia que pagava até 80% acima do piso; 2) Pimentel propõe acabar com o subsídio e voltar com o vencimento básico, o que é bom para a categoria, já que sobre este vencimento incidem gratificações e vantagens; 3) o governo de Minas assumiu o compromisso de pagar o valor do piso integral, sem mexer na jornada de 24 horas - e este é um ganho importante para a categoria; 4) o governo se comprometeu também a dar os mesmos reajustes que forem aplicados ao piso nacional, pelo MEC; 5) pelo que entendi, todas as carreiras da Educação terão os mesmos percentuais de reajuste salarial que serão concedidos aos professores.

Estes são alguns dos aspectos positivos que vi na proposta, e que já superam em muito as realidades impostas pelas gestões tucanas. Os pontos que podem e devem ser questionados, a meu ver são os seguintes: 1) não houve alteração nos percentuais de progressão e promoção rebaixados pelos governos tucanos. Mas, acho que essa demanda pode ser conquistada, senão agora, pelo menos nos próximos anos; 2) li algumas reclamações nos comentários sobre os aposentados. Pela leitura rápida que fiz no site do sindicato, o governo se compromete sim a pagar os mesmos percentuais aos aposentados, porém em momentos diferentes. Se for assim, acho errado, pois os aposentados têm que receber as mesmas correções salariais dos servidores da ativa; 3) o governo melhorou um pouco o prazo para pagar o piso integral: era em 2018, e passou para 2017. Penso que se a situação econômica melhorar um pouco, dá para antecipar para 2016.; 4) a proposta de 5% e 10% respectivamente para os títulos de mestre e doutor continua abaixo da crítica. O governo tem a obrigação de melhorar essa proposta, seja porque o impacto na folha será muito reduzido no imediato, e também para estimular os profissionais a investirem na sua formação profissional.

São estes alguns dos pontos que trago para a reflexão, num primeiro momento. O sindicato está devendo uma análise mais profunda da proposta do governo. Enfim, é isso: houve avanços, o que é bom para os educadores de Minas, mas pode melhorar bastante ainda.


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No momento em que a mídia brasileira, Globo à frente, tem pensamento único e faz papel de partido político antipetista e contra o governo federal, é importante ouvir o outro lado. Ou seja, ouvir o que têm a dizer algumas lideranças do PT, como é o caso do deputado Sibá Machado, do Acre.

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Em contraponto às minguadas manifestações de hoje - exceção de SP, sempre tucana e masoquista -, a TVT organizou várias rodas de discussão política ao vivo. Brilhante iniciativa, que deveria ser repetida com frequência. O Brasil dos de baixo precisa disso: mais debate, mais diálogo, mais diversidade de ideias, e menos Globo, Band, Itatiaia, etc. No dia 15, acontecerão manifestações e greves contra a terceirização do trabalho. Vamos apoiar esta luta e acompanhar os preparativos. Inclusive via redes sociais.
 

As manifestações de protesto e o golpe midiático paraguaio

Hoje, domingo, 12 de abril, haverá novo golpe, digo, novas manifestações de rua contra o governo federal, contra o PT e contra a corrupção seletiva. Certamente milhares de lobotomizados pela Globo, Itatiaia e afins sairão às ruas pedindo a intervenção militar e o impeachment da presidenta Dilma, eleita democraticamente pela maioria do povo brasileiro, em dois turnos. Infelizmente, o criminoso monopólio da mídia nas mãos de meia dúzia de famílias ligadas à direita internacional, golpistas e entreguistas, portanto, formou uma base social com ideias fascistas. 

As pessoas defendem a maioridade penal porque ouviram nas rádios e TVs sensacionalistas que isso resolverá o problema da violência urbana, o que é uma grande mentira. As nossas crianças precisam de mais escolas, melhor educação, mais espaços de lazer e cultura e esportes, e menos cadeias e repressão.

Ao mesmo tempo, um congresso nacional fundamentalista de direita, liderado por um despachante dos banqueiros, do agronegócio e dos empreiteiros, vem aprovando medidas contra os trabalhadores brasileiros e contra os direitos individuais e coletivos conquistados com muita luta.

Em pouco tempo, a câmara do deputados, presidida pelo fundamentalista Eduardo Cunha, já colocou em pauta ou aprovou medidas como: a maioridade penal, de ataques aos direitos de LGBT, e mais recentemente a aprovação do PL 4330, que legaliza e generaliza a terceirização, o que praticamente acaba com a legislação trabalhista e com todos os direitos conquistados nas últimas décadas. O trabalhador terceirizado tem salário menor, trabalha jornadas maiores, em piores condições de trabalho, e com nenhuma possibilidade de se organizar e defender coletivamente seus direitos. É a escravidão assalariada.

Nestes embates no congresso nacional, os posicionamentos dos partidos e seus representantes demonstram claramente de que lado eles estão. De um lado, PT, PCdoB e PSOL têm votado sempre em favor dos trabalhadores e dos direitos humanos e das minorias; do outro, à direita, estão: PSDB, PMDB de Cunha, PPS, DEM, PP, entre outros. Estes partidos da direita representam hoje a grande maioria no congresso nacional, e, portanto, farão aprovar todas as medidas em desfavor do nosso povo, com o apoio da mídia golpista, que faz vista grossa, enquanto mantém ataque pesado ao governo federal.

Nas manifestações de hoje certamente ninguém verá cartazes falando da Operação Zelotes, que investiga a sonegação e o suborno praticados por banqueiros e grandes empresários, atingindo algo próximo de R$ 19 bilhões em prejuízos para o Brasil. São 10 vezes mais do que as propinas das empreiteiras do caso Petrobras descobertas pela Operação Lava Jato.

Ninguém verá também cartazes pedindo a abertura das contas do HSBC na Suíça, onde dezenas de brasileiros ricos depositaram grandes quantias, nem sempre ou quase nunca declaradas no imposto de renda. É essa gente que posa de paladinos da ética e da moral.

Também vocês não verão no desfile uniformizado verde amarelo de hoje, com ampla cobertura da mídia - coisa que esta mídia não faz quando se trata das lutas dos trabalhadores -, vocês não verão, dizia, cartazes pedindo a condenação dos mensaleiros tucanos de Minas, cuja ação judicial praticamente prescreveu. Não verão também, seja aqui em Minas, ou na av. Paulista, ninguém pedindo a apuração e a punição dos envolvidos no escândalo do Trensalão, que atravessou quatro governos tucanos de SP impunemente.

A ordem do dia, para os lobotomizados da Globo e da Itatiaia e da Band e da Folha e do Estado de Minas é gritar contra os "ladrões do Petrolão", e pedir o "Fora Dilma", além da "intervenção militar".

De certa forma a gente até entende como este movimento neofascista, golpista, de direita, se formou e se fortaleceu no Brasil. De um lado, nós temos a mídia golpista de pensamento único agindo livremente. Basta ler os comentários - para quem tem estômago - nos portais dessa grande mídia para perceber o baixo nível das argumentações. Não há qualquer análise crítica. São chavões de baixo calão repetidos feitos robôs, sempre contra o PT, o governo federal, Lula, Dilma, o MST, os movimentos sociais, enfim.

É certo, de outro lado, que o PT e o governo federal têm a sua culpa, sim. Não por terem sido mais corruptos do que os tucanos, ou do que qualquer outro partido. Pelo contrário. Se fizermos um estudo detalhado, veremos que o PT cometeu muitos erros nessa questão moral do uso de caixa dois de campanha. Mas, nem de longe o PT se aproxima de outros partidos como PSDB, PMDB, DEM, etc. A diferença é que esses outros partidos são protegidos pela mídia golpista. E boa parte da população se desinforma somente através desses veículos de manipulação a que chamam equivocadamente de informação. Eles não informam nada, eles desinformam, deturpam, e formam opiniões de acordo com os interesses das elites dominantes.

Mas o PT, eu dizia, cometeu o pecado fatal de não travar o combate político e ideológico contra a direita e sua mídia. Isso tem sido fatal contra o PT e contra a esquerda em geral. É certo que tem uma certa esquerda que se tornou linha auxiliar da direita golpista. Adoram acusar o PT de ter feito muitas concessões aos aliados da direita - o que é fato -, mas, estes setores da esquerda não fazem outra coisa senão favorecer a direita mais golpista. O discurso de certa dita esquerda não é mais contra os partidos que representam as elites dominantes - e que votam pela terceirização, pela maioridade penal, contra os direitos de LGBT, contra os direitos humanos, em favor do golpe, pela privatização da Petrobras, etc. Não. Tal como a Globo, eles só atacam ao PT. E nem recebem cachê da CIA para isso.

Não há como dizer que todos os partidos são farinha do mesmo saco. Conversa mole de quem deseja ficar em situação cômoda, tipo lavar as mãos e não assumir a responsabilidade de identificar quem são os verdadeiros inimigos do povo brasileiro. Mesmo quando, aqueles que não são os inimigos do povo, cometem seus erros e devem ser criticados por isso.

Afirmo aqui claramente que o PT cometeu muitos equívocos, fez muitas concessões à direita para chegar ao governo federal, deixou de fazer muitas coisas - como a democratização da mídia e reformas política, agrária, etc. Contudo, o PT não é um partido da direita e seus representantes no congresso nacional em geral votam em favor dos trabalhadores. Foi o PT que bancou e garantiu a partilha e o conteúdo nacional na exploração do pré-sal, além de percentuais expressivos para a Educação e a saúde. Os dirigentes do PSDB, como Serra e Aloysio Nunes pedem, hoje, o fim da partilha, do controle operacional da Petrobras e sua privatização, servindo aos interesses de grupos estrangeiros, como a petroleira Chevron. O PSDB votou em peso pela terceirização do trabalho, ao contrário do PT, PCdoB e PSOL que se posicionaram contra.

Nos direitos humanos e das minorias acontece a mesma coisa: o blocão da direita passa o rolo compressor pra cima da esquerda, que não tem maioria no congresso. Na questão da reforma política, um dos pontos centrais é o fim do financiamento privado das campanhas eleitorais - por parte das empresas -, que é talvez a principal causa da corrupção. Como se posicionam os partidos da oposição golpista que vão às ruas neste domingo, dia 12? Claro, eles são a favor da manutenção do financiamento empresarial das campanhas. Novamente PT, PSOL e PCdoB se posicionam contra, e defendem o financiamento público e constituinte exclusiva.

Mas, vocês não verão nem um cartaz sequer pedindo o fim do financiamento privado das campanhas eleitorais, o que torna o processo eleitoral totalmente viciado, e favorável aos ricos, já que são eles que financiam as campanhas de deputados e senadores e prefeitos e governadores e presidentes, e depois cobram a sua parte no negócio.

Mas, quem disse que esses falso moralistas querem acabar de verdade com a corrupção? Criticam a corrupção na Petrobras - de R$ 2 bilhões que foram apropriados por poucos servidores corruptos de alto escalão, doleiros bandidos e algumas dezenas de políticos, especialmente dos partidos de direita. Mas, fazem vista grossa para outros escândalos muito maiores do que o da Petrobras, incluindo a sonegação de impostos. Muitos destes que vão para as ruas protestar contra o governo são sonegadores de impostos, ou já praticaram algum tipo de suborno para levar vantagem pessoal. Quem disse que eles querem tudo "certinho"?

As elites brasileiras são acostumadas a pagar magras gorjetas para os trabalhadores braçais, e geralmente não pagam os direitos trabalhistas dos seus empregados. Essas elites gostam mesmo de economizar para gastar em Miami. O problema é que essas elites dominantes passaram a se encontrar com seus empregados nos restaurantes ou nos aeroportos. Em condições de igualdade, ou seja, como cidadãos. É isso que irrita essa gente, que considera os pobres apenas um detalhe da natureza, que devem existir apenas para servi-la, ou então que sejam presos e torturados. É isso que parte das elites deseja para os pobres brasileiros.

Por isso vejo essas manifestações de lobotomizados pela Globo e afins como uma expressão da alienação coletiva a que impuseram ao povo brasileiro - e mundial também, claro. Enquanto não houver mídias alternativas com alcance de massa - ah, PT, Lula e Dilma, como vocês foram frouxos e não conseguiram bancar nem uma rádio, uma TV sequer, para se contrapor à direita -, podemos esperar a repetição dessas manifestações.

A seguir, vou publicar um outro comentário que fiz em blogs independentes ou "sujos" acerca da nossa realidade e do que eu acho que o governo federal e o PT deveriam fazer - embora considere que isso não vai acontecer.

Antes, contudo, quero dirigir algumas palavras aos nossos bravos professores que nos honram com sua visita. Não deixem de travar um debate político com seus colegas e com os estudantes. É fundamental quebrar este monopólio do pensamento único dirigido pela mídia golpista. Até mesmo para que haja uma mudança na Educação - e em favor dela - é importante que os alunos e seus pais comecem a pensar criticamente o Brasil e o mundo. E isto não significa ser a favor ou contra este ou aquele governo, mas saber identificar quais os interesses do nosso povo, e quem são aqueles que defendem ou atacam estes interesses. 

A mídia tenta passar a ideia equivocada de que todos os problemas são causados pela corrupção, e assim mesmo de forma seletiva, só contra o PT. Nada mais falso. A corrupção nas suas diversas modalidades sempre existiu e dificilmente será totalmente banida. Mas, o que atormenta mesmo o Brasil é a péssima distribuição de renda; é o baixo investimento nas áreas sociais; é  o monopólio da mídia pela elite rica, o que exclui os fazeres, as ideias, e os interesses dos de baixo.

Enfim, vamos ao comentário que mencionei acima.


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O golpe contra os de baixo

Daqui a alguns meses ou anos, quando revisitarmos o atual momento, ficaremos incrédulos ao rever o que estamos passando. Inacreditável. O golpe contra o governo e contra o povo brasileiro vem sendo armado há algum tempo. As eleições foram o momento decisivo para uma virada, seja para a esquerda ou para a direita. A direita, com a ajuda da sua mídia golpista, quase levou. Mas, na última hora, com o apoio dos movimentos sociais e com um discurso de mudanças em favor do povo, a presidenta Dilma  conseguiu se reeleger.

Mas, os derrotados não aceitaram. Já havia toda uma operação em curso, desde a midiática Operação Lava Jato, feita por encomenda para atacar a Petrobras, o governo federal e o PT. Embora tenha perdido o pleito presidencial, a direita conseguiu fazer uma grande maioria no congresso nacional, especialmente na Câmara dos deputados, onde despachantes do agronegócio, dos banqueiros, dos empreiteiros e de ideologias fundamentalistas, liderados pelo projeto de ditador Eduardo Cunha, assumiram o poder naquela Casa. Ao mesmo tempo, a mídia continuou o bombardeio diário, como vinha fazendo, entorpecendo as mentes de milhões de brasileiros contra o governo federal, contra o PT, e contra os interesses do Brasil.

No meio deste cenário de guerra aberta, o que faz o governo do PT? De forma inacreditável, toma medidas impopulares contra o povão que apoiou o governo: ataca o seguro desemprego, as pensões, aumenta tarifas de gasolina, energia elétrica, e finge de morto em relação ao bombardeio contra a Petrobras, uma das maiores forças da nossa economia.

Em nome de um ajuste fiscal duvidoso nos rumos da economia, e sem discutir alternativas que não atacassem os trabalhadores, o governo entrega de bandeja mais essa munição para a direita golpista. Demora a se articular politicamente; a presidenta passa quatro meses sem se dirigir diretamente ao povo brasileiro que a elegeu, como se se tratasse de uma pequena crise, uma marolinha qualquer, que pudesse ser superada com o escorrer do tempo. Quanta imaturidade política, para dizer o mínimo.

Diante desse cenário, com a mídia golpista agindo sozinha e fazendo a cabeça de milhões de pessoas, começam a surgir os movimentos de massa de protesto. Coisa que a direita não tinha antes – movimentos de rua contra o governo em grande número de pessoas – se torna realidade. Só na Paulista, 200 mil pessoas, a maioria classe média branca, desfila, pedindo intervenção militar, impeachment da presidenta e manifesta seus preconceitos contra LGBT, negros, nordestinos, etc. O discurso falso moralista e seletivo de combate à corrupção (somente contra o PT e a Petrobras) dá a tônica, numa reprodução do pensamento único da mídia golpista.

Ao invés de fazer uma aliança direta com os movimentos sociais, em torno de um programa comum que atendesse as demandas de amplas camadas dos de baixo – moradia popular, reforma agrária, melhorias na Educação básica e na saúde pública, etc. – o governo federal manteve sua postura distante da população, com pequenas alterações na esfera política pelo alto – como a indicação de Temer para articulações institucionais -, onde o jogo já está ganho pelo inimigo.

A única forma do governo se livrar de um golpe imediato ou a médio prazo é ter a humildade de reconhecer que errou nos primeiros meses do novo governo e chamar os movimentos sociais para um diálogo com propostas imediatas, que envolvam a defesa da Petrobras, o fim da midiatização da crise com a abertura de novas concessões de rádios e TVs para os movimentos sociais com financiamento público; e um pacote de bondade com subsídios por parte do governo, que envolva:

a) redução nas tarifas de água, luz e telefone para quem recebe até 5 salários mínimos; b) transporte gratuito para estudantes e vale-transporte para os desempregados; c) incrementar a fase 3 do Minha Casa Minha Vida; d) cancelar as MPs 664 e 665 (que atacam o seguro desemprego e pensões); e) turbinar a TV Brasil, tanto na programação jornalística e de entretenimento, quanto na extensão e alcance nacional; f) implantar o projeto Banda Larga para Todos de imediato, garantindo acesso gratuito às famílias com renda de até 3 salários mínimos; g) instituir um abono salarial nacional para os educadores do ensino básico que percebam menos que o piso nacional (R$ 1.917) de forma complementar e até que se atinja o valor integral do piso; g) desenvolver parceria com o MST e o MTST para as políticas de assentamento, ocupações urbanas e rurais e financiamento de projetos de produção agrícola orgânica e cooperativas.

São medidas que teriam impacto positivo e direto na vida de milhões de brasileiros e brasileiras. E desmontariam o golpe. A pergunta que farão é: com que recursos o governo aplicaria tais projetos? Respondo: 1) com a queda da taxa de juros, o que aliviaria em muitos R$ bilhões os custos da dívida pública; 2) com o aperto pra cima da sonegação fiscal por parte dos mais ricos. São outros bilhões de reais nos cofres do governo; 3) com a taxação das grandes fortunas, o que garantiria mais um reforço de caixa; 4) se necessário, o governo pode lançar mão de duas outras fontes: um pequeno percentual das reservas internacionais (hoje em quase 400 bilhões de dólares) e empréstimo a juro baixo por parte do novo banco criado pelo BRICS.

Outros ajustes de menor monta e sem atacar em nada os trabalhadores podem ser realizados, desde que a premissa seja a geração de empregos, o fortalecimento do mercado interno e o aumento do poder de compra dos trabalhadores. Pois é isso que poderá criar um movimento de crescimento na economia em favor dos de baixo; e junto com isso, o crescimento na consciência política dos trabalhadores, de que é preciso lutar e defender os interesses de classe dos de baixo. É a luta política e ideológica que o governo do PT abandonou, de forma irresponsável até. Não há uma rádio, uma TV, uma revista nacional, que trave a luta ideológica contra o pensamento único da mídia golpista (Globo, Band, Itatiaia, Folha, Veja, Estadão, e afins).

Outra iniciativa importante por parte do governo federal é se posicionar publicamente contra a terceirização que foi aprovada na Câmara dos Deputados. Já foi um erro do governo ter enviado o ministro Levy para negociar pontos do PL 4330, o que torna dúbia a posição do governo. O PT e o governo federal deveriam se posicionar radicalmente contra, inclusive convocando a rede nacional de rádio e TV e explicando didaticamente o quanto este projeto trará prejuízos para todos os trabalhadores – e mostrar a cara dos que defendem o PL 4330 – PSDB, PMDB de Cunha, DEM, PSB, PPS, entre outros. É importante ficar claro quem são os amigos e os inimigos do povo brasileiro.

Se continuar do jeito que está, a tendência é que o governo seja derrubado vergonhosamente, sem luta, através de um golpe paraguaio que já está armado: operação Lava Jato + 300 e tantos deputados achacadores + MP pautado pela Globo + mídia golpista pautando o golpe e procurando legitimá-lo + base social da direita já pronta para comemorar o golpe. Com as bençãos da CIA. Não será uma derrota apenas do PT e do governo federal, mas de todo o povo brasileiro. Contudo, o PT e o governo federal são os principais responsáveis por esse quadro, pela omissão, pela falta de coragem de chamar a base social de apoio que sempre sustentou o governo para a luta – claro que chamar com propostas, enquanto estiver com a caneta do governo, e não apenas quando estiver derrubado, o que não vai adiantar nada.

Quanto mais o governo federal demorar a se posicionar, e continuar sangrando, mais fácil será o golpe da direita. Dilma e Lula precisam entender que o compromisso que eles têm - ou deveriam ter - não é com o ministro Levy, nem com os ajustes fiscais de resultados duvidosos e de longo prazo (o governo não tem este tempo para esperar), mas é com o povo brasileiro, com os de baixo, que estão (estamos) sendo atacados e prestes a sofrer a maior derrota dos últimos 100 anos, com perdas de quase todos os direitos conquistados nas últimas décadas.

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A despeito do que fará o governo e o PT, que o povo brasileiro, nós, os de baixo, saibamos resistir, e nos unir, e nos organizarmos num forte movimento social e político para enfrentar a direita golpista.

Um forte abraço a todos e força na luta! Até a nossa vitória!

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Sugestões de consulta na Internet:
 
- Blog Viomundo
- Jornal GGN
- Diário do Centro do Mundo

- Blog Tijolaço
- Blog O Cafezinho
- Revista Forum
- Blog da Cidadania
- Blog Escrevinhador
- Blog Conversa Afiada
- Blog do Miro
- Blog Maria Fro
- Carta Capital

- Rede Brasil Atual
- Blog Socialista Morena
- Blog do Mello
- Blog Cloaca News

- Mauro Santayana

- MST
- MTST
- Muda Mais
- Mais Mudanças
- Megacidadania
- TV Postv (Internet) (Novo)
- TV Brasil Internacional
- TVT - sindicato metalúrgicos ABC paulista
- Telesur ao vivo

- TV NBR (do governo Federal)
- TV do Governo Venezuelano
- Press TV do Irã
- RT - Russia Today - em espanhol 
- Portal EBC

- Rádio Brasil Atual (Novo)