domingo, 25 de abril de 2010

Mais uma professora, sofredora, mas na luta...

Transcrevo a seguir a mensagem que recebi de mais uma professora, que narra a realidade de um trabalhador da educação em Minas Gerais. É mais uma companheira que resiste corajosamente como tantas outras e outros.

Estes depoimentos, como foram aqueles narrados pelas professoras Maria Arlinda - clique aqui e aqui para ler- e Alessandra Fernandes - clique aqui -, dão-nos a idéia da distância entre o discurso oficial do governo e a realidade dos profissionais da educação. E nos conduzem à conclusão de que a Educação pública em Minas ainda mantém um certo grau de excelência, APESAR dos governos. É graças à dedicação, ao empenho, ao esforço, ao sofrimento até, dos profissionais que as coisas na Educação em Minas ainda funcionam, APESAR DOS GOVERNOS.

Mas, é graças também à luta que travamos no passado e no presente que tem sido possível arrancar pequenas conquistas e não permitir que a Educação pública descambe de vez para a visão neoliberal do governo de Aécio-Anastasia, para o qual Educação pública é coisa para gente de família pobre e que por isso não merece qualquer atenção. Qualquer coisa tá bom, pensam eles. Pra quê pagar mais do que um salário mínimo a educadores se a tarefa deles é tomar conta de meninos de famílias de baixa renda? - pensam eles. Mas, não pensamos assim, e vamos resistir! Para nós, todos merecem respeito e uma Educação de qualidade, tal como aquela que um filho de família rica recebe.

Fiquem agora com a mensagem da professora Maria Neusa, de Pirapora:

"Olá Euler. Nome bem sugestivo para quem é educador. Sou professora de Física, pós graduada em matemática e mestranda em ensino de física, com um custo mensal pelo curso de 968,34. Nossa! dói só de citar esse valor, pois ganho menos que isso no cargo de professor do qual se relaciona com meu curso. Bem, tenho dois cargos, um de ATE3A (efetivo 2002) e um de PEB3A (efetivado Lei 100), somente por isso e por ter um marido (que graças a Deus não é o famoso "marido de professora") ainda consigo pagar o curso que peço a Deus, não seja aproveitado na educação básica pública de Minas, por motivos que não necessitam nem dizer. No cargo de ATE3A, trabalhava como taxadora no setor de pagamento da SRE de Pirapora antes de me afastar para o mestrado (detalhe, não consegui o afastamento pelo cargo de professor por ser efetivada nele). Tentei retornar ao trabalho para o mesmo setor do qual trabalho a mais de 7 anos sendo todo este tempo como coordenadora, e acreditem! recusaram de me dar a vaga no setor onde estou desde o ingresso em 2002. Querem me enfiar em outro setor que não tem nada a ver comigo. Argumento deles: tem uma pessoa, ATB de escola no meu lugar, sem curso algum, exceto o de nível médio e sem nenhum perfil para ser taxador, causando retrabalho o tempo todo para os outros taxadores mais experientes. Moral da história: interesses políticos e nenhuma preocupação com a qualidade do serviço público.

Olha, na escola? é aquilo mesmo que vc já escreveu. Humilhações por parte dos alunos, da direção, dos pais, etc... com a recompensa salarial de setecentos e alguma coisa reais,rsrsrs...

Estamos em greve na escola (E.E. ARGELCE CARVALHO SANTOS DA MOTA), mas temo que seja por pouco tempo, pois já tem uns furões querendo voltar. Só voltarei depois que o sindicato liberar, mas temos colegas que merecem o que ganham...

Espero não ter ofendido nenhum dos que por ventura acessar o seu blog.

Abraços a todos os sofressores. Que Deus nos ajude nesta luta.

Maria Neuza - Pirapora"

Um comentário:

  1. MARIA CRISTINA COSTA25 de abril de 2010 21:58

    EULER, GOSTARIA DE ACRESCENTAR UAM ASSUNTO QUE ESTÁ ME INCOMODANDO MUITO.....

    TIVE NOTÍCIAS DE FONTES FIDEDÍGNAS QUE PROFESSORES DA NOSSA REGIÃO INCLUINDO BH, QUE DIZEM ESTAR DE GREVE ESTÃO INDO À ESCOLA ASSINAREM O PONTO(NÃO SEI DIZER SE ESTÃO CUMPRINDO O HORÁRIO)PARA NÃO PERDEREM O DIA COM O COMPROMISSO DE REPOREM DEPOIS!!!

    AÍ VEM MEU QUESTIONAMENTO:

    ESTES PROFESSORES ESTÃO DE GREVE OU NÃO???

    POIS PELO QUE POUCO SEI, É QUE A "SEE" OLHA O NÚMERO DE GREVISTAS PELO LIVRO DE PONTO FORNECIDO PELAS ESCOLAS. OU NÃO????

    VOCÊ PODERIA ME ESCLARECER ESTA DÚVIDA????


    MAIS UMA VEZ PARABÉNS PELO BLOG, POSTS E COMENTÁRIOS.


    Cristina- professora que está impedida e incoformada de não poder participar das manifestações por motivo de saúde, pois estou em tratamento justamente na quinta-feira(à tarde)que era o único dia que tinha disponibilidade ( dia de minha "folga").


    PORQUE A SAÚDE DO PROFISSIONAL DA EDUCAÇÃO É OUTRO ASSUNTO QUE PARA O NOSSO GOVERNO TAMBÉM NÃO TEM IMPORTÂNCIA!!!!

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