
Há um ano, na madrugada de 01 de abril de 2011, faleceu em Montes Claros, aos 39 anos de idade, o professor Luis Carlos Martinho. O nosso primeiro contato aconteceu em Belo Horizonte, durante atividades do movimento estudantil secundarista, nos meados da década de 90.
Durante sua juventude Luis Carlos participou ativamente das lutas estudantis. Ainda estudante secundarista, tornou-se operário de uma fábrica de embalagens plásticas. Tornou-se marxista e, assim, encontrou a razão de sua existência, dedicando-se à militância revolucionária até o último instante de sua vida.
Quanta saudade do Negão! Aos sábados caminhávamos pelo centro de Belo Horizonte, adorávamos cortar caminho pelo Parque Municipal, proseávamos sobre música de raiz, erudita, literatura, cinema e revolução. Dinheiro para uma diversão faltava, mas a alegria de sermos jovens revolucionários sobrava.
Luis Carlos Martinho tornou-se o professor Manoel. Adorado pelos camponeses dos quatro cantos do nortão de Minas, ele auxiliou na construção das escolas populares e no
avanço do movimento camponês combativo da região.
O funeral de Luis Carlos aconteceu na residência de sua família em Vespasiano. O corpo chegou de Montes Claros na madrugada do dia 02 de abril e uma cena marcante que levarei pelo resto da minha vida foi a emoção do Comandante João Martinho, seu tio, ao ver chegando dezenas de coroas de flores, assinadas por diversas organizações revolucionárias do País. Nesse momento nos abraçamos demoradamente, as lágrimas escorreram:
- Seu sobrinho foi um lutador social muito querido pelo nosso povo, entregou a vida à causa revolucionária. Não permitiremos a presença de traidores e oportunistas nesse funeral.
A bandeira vermelha com a foice e o martelo vestia o ataúde de Luis Carlos Martinho.
Rômulo Radicchi, 31/03/2012
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*Rômulo Radicchi é professor de História da rede pública estadual de Minas Gerais e da rede pública municipal de Sabará. É também uma das principais lideranças do NDG.
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