segunda-feira, 28 de março de 2011

Para o bem ou para o mal, dia 30 pode encerrar o primeiro capítulo da longa novela do piso do magistério


Foram anos de expectativa em torno de um tema que se tornou promessa de campanha e propaganda enganosa supostamente em favor dos professores. Desde a aprovação do piso do magistério em 2008 nada praticamente mudou na vida dos professores. Os pilares do piso - o fato do piso ser vencimento básico e não teto e o terço de tempo extraclasse - foram quebrados pelo STF em decisão liminar, atendendo aos desgovernadores e prefeitos e ao governo federal.

Agora, no dia 30, o STF terá a chance de corrigir a sacanagem que praticou contra os professores do Brasil, que tinham grande expectativa de mudança da dramática situação salarial vivida em todo o país. Uma decisão importante, que não terá a presença de centenas de milhares de educadores na porta do STF, como seria o desejável, graças à igualmente sacana direção das entidades sindicais e da sua confederação, absolutamente atrelados às políticas oficiais do governo federal. Agem ao sabor da agenda do governo federal, sem qualquer autonomia.

Mas, dia 30 essa estória - mais do que uma história - começa a mudar de fato. Se o STF votar em favor dos professores - pelo terço de tempo extraclasse e pelo piso enquanto piso - não haverá mais desculpa para nenhum governante não pagar o piso. A nossa luta então terá que ser em duas frentes: 1) pela exigência do cumprimento imediato da lei do piso - que inclui o valor básico ainda que ridículo de R$ 1.187 para 40 horas para o professor com ensino médio, o terço de tempo extraclasse e a aprovação de plano de carreira em todas as redes; e 2) pelo imediato reajuste do valor do piso para algo próximo de R$ 2.000,00.

Essas medidas mexem com os interesses das tres esferas - governo federal, governos estaduais e governos municipais - e não podem ser tratadas isoladamente. O melhor mesmo seria a federalização já debatida aqui nesse blog. Mas, sabemos o quanto isso contraria interesses de governantes das três esferas e das próprias entidades sindicais, que não querem perder a sua base política e regional. Portanto, se não conseguimos de imediato a federalização, que pelo menos tenhamos a capacidade de articular as lutas regionais a interesses e objetivos comuns, nacionalmente.

A CNTE tem tido um papel praticamente inócuo, pois sua ação está pautada na agenda do Governo Federal. Virou uma escada para a ascensão individual de certos membros da cúpula sindical, o que aliás, tem ocorrido com a CUT e a UNE: são entidades-trampolins para que alguns chefes galguem cargos nas esferas mais altas do aparato estatal. Seja como deputados, como assessores de ministérios ou secretarias, ou conselheiros de alguma estatal. Nem é preciso aqui nomear os exemplos de lideranças sindicais que se afastaram das bases para se tornarem burocratas a defenderem os interesses de estado (leia-se: da burguesia) contra os interesses de classe dos trabalhadores aos quais diziam defender no passado.

Agora, se o STF votar pelo piso enquanto teto e contra o terço de tempo extraclasse, então meus amigos, este piso vai continuar do jeito que está: uma inutilidade prática para enganar bobos. Tal decisão deverá também nos fazer refletir sobre o papel dessas entidades sindicais que permitiram que fóssemos arrastados na onda e na agenda do governo federal, como se estivéssemos avançando nas conquistas. Posso falar por mim: em quase 9 anos de magistério, as únicas e tímidas conquistas salariais que eu percebi foram fruto das nossas lutas aqui em Minas. Assim mesmo acompanhadas de grandes derrotas e perdas, como o corte dos quinquênios e biênios de que fomos vítimas.

Ou seja, a lei do piso e a estratégia sindical vigente de não organizar grandes mobilizações nacionais não resultaram em nada até agora, para nós. Nem para os colegas professores considerados novatos, nem tampouco para os antigos profissionais, que amargam situação de perdas e salários baixos. Nenhuma outra carreira do chamado mercado - ou do estado -, com o mesmo grau de formação dos professores, recebe salários tão ridículos quanto os nossos - sem falar nas condições de trabalho, que não são nada boas.

Mas isso tem também um outro culpado, que somos nós mesmos, que não aprendemos a nos organizar e a nos mobilizar e ficamos a esperar que as coisas caiam do céu. Claro que muitos de nós lutaram corajosamente, e continuam prontos para os mais aguerridos combates. Mas, uma parcela muito expressiva da categoria acostumou-se ao chicote das direções escolares, ou da mesquinharia noveleira dos grupinhos fechados em escolas, ou de um status que não existe, mas que insistem em querer fazer parecer aquilo que não é.

Somos uma carreira de profissionais desvalorizada, para baixo, sem estímulo, sem valorização. E o que é pior: uma carreira que o tempo inteiro os governos, os políticos e a mídia e parcela das comunidades insistem em dizer que é a mais importante do mundo. O tempo inteiro os políticos e os especialistas dos problemas sociais elegem a Educação como tábua de salvação para todos os problemas da humanidade. E nós nem queremos esse papel. Queremos apenas que haja a real valorização dos educadores e que sejam criadas as condições adequadas de trabalho, além de reais políticas de formação continuada. No lugar disso, o que vemos é muita propaganda, muita ladainha, muita promessa oca para o futuro. Não somos ouvidos, não somos consultados, não somos atendidos nos nossos interesses.

Por isso, camaradas de luta, após o dia 30 começará realmente a retomada da nossa luta, em Minas e no Brasil, com o piso enquanto piso, ou com outras referências. Espero que vocês possam refletir sobre essas realidades e que possamos intervir mais diretamente, como sujeitos e não como marionetes. Temos problemas diversificados aqui em Minas, criados pelos sucessivos governos. Mas, temos objetivos comuns, nacionais, que não serão resolvidos aqui, apenas. A combinação da luta regional e nacional é uma necessidade. E nós não temos organização nacional para este fim. As entidades sindicais que aí estão tornaram-se aparelhos de (ou das políticas do) estado, e não organização autônoma de combate, como deveriam ser. Estejamos prontos para novas lutas! Ou vocês já se cansaram?

***
P.S. Aos colegas de Vespasiano e São José da Lapa, acabo de ser informado pela combativa diretora da subsede local do Sind-UTE, Cláudia Luiza, que haverá um ônibus disponível para a assembléia estadual, a realizar-se amanhã, dia 29 de março, no pátio da ALMG, às 14h. O ônibus deve sair às 13h15m da Praça da Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, em Vespasiano.

Mas, e Brasília? Até agora, nada.


P.S2. Um exemplo da desarticulação nacional pode ser observada pelas paralisações regionais: Minas pára no dia 29 e o Rio de Janeiro dia 31. Paralisação de um dia, que poderia ter sido organizada para o mesmo dia, com vigília nacional e caravanas até Brasília. Outros estados e municípios também paralisaram atividades em dias diferentes, sem um calendário comum que chamasse a atenção do Brasil inteiro para a nossa realidade. E com o enfraquecimento da nossa luta. Isso precisa mudar, não acham?

"Marcos:

Caro Euler,

Concordo plenamente com o que disse. Estive analisando e cheguei a conclusão de que o Sind-UTE está defendendo o subsídio porque viu uma grande possibilidade de aumentar a arrecadação.

Antes o desconto era feito sobre o piso, que era muito baixo. agora passou a ser pelo valor total dos proventos que passou a se chamar subsídio.

Conclusão, não estão nem aí para os professores e principalmente os filiados.

Já decidi, para esta corja não contribuo mais. querem vida mansa nas costas dos outros, podem até ter, mas não na minha."


"Beatriz Cerqueira:

Olá Euler, boa noite!

A organização de caravana para Brasília para o dia 30/03 foi encaminhada às subsedes.

Acho uma pena alguns comentários como "corja" que estão postados no seu blog, a liberdade de expressão é fundamental assim como respeitar o outro. Cada um escolhe um tipo de militância. É uma pena avaliarmos no mesmo patamar a postagem de informação feita pela Secretaria e pelo sindicato. Avaliamos coletivamente que a assembleia do dia 29 é para socializarmos e avaliarmos o processo de discussão que tenha ocorrido após o dia 24/02. O espaço é a assembleia. Após a assembleia, com a avaliação feita pela categoria, que organizamos boletim informativo e formativo. O espaço coletivo é a nossa assembleia.

Enquanto alguns tem tempo para depreciar as pessoas sem sequer ter a coragem de assinar, outras pessoas estão encaminhando a luta e é por isso que recorri ao seu blog. Gostaria de pedir para divulgar a greve da rede municipal de Betim. Temos enfrentado a máquina da Prefeitura com propaganda na Globo, intervenção nas escolas em que a direção apóia a greve, corte do ponto, etc. Se puder divulgar, seria muito importante.

Quanto as falas, aceito as críticas, não aceito ofensa. Vou reservar um tempo para discutirmos as críticas e responder as ofensas. Mas primeiro, vou pra luta, pra frente de batalha. Prefiro isso do que ficar no computador criticando quem trabalha. As redes sociais são importantes para fortalecer, não um instrumento para dividir.
Um abraço,

Beatriz Cerqueira
"

Comentário do Blog: Tem razão a colega Beatriz, coordenadora geral do Sind-UTE - MG, de pedir que as pessoas moderem nas suas críticas. Não no conteúdo das críticas, mas na forma, evitando o tratamento desrespeitoso. Isso de fato vale para todos. Podemos divergir, mas é preciso manter o tratamento respeitoso entre companheiros de classe e de luta.

Claro que o nosso blog não trata no mesmo nível os dirigentes do sind-UTE que estão na luta - ainda que discordemos de suas posições - daqueles dirigentes de entidades (não só do Sind-UTE) que há muito abandonaram as nossas trincheiras - e se tornaram burocratas a serviço das elites.

Ao contrário de alguns colegas que defendem o desligamento do sindicato, o nosso blog nunca defendeu essa posição, embora respeitemos as posições diferentes das nossas. Achamos mais importante lutar para que o sindicato se torne de fato uma entidade autônoma em relação aos governos, aos partidos, aos aparatos de poder, enfim.


O nosso blog recebe dezenas de visitas diariamente e os comentários, sempre bem-vindos, são da inteira responsabilidade de quem os produz. Mesmo não concordando com a forma com que alguns colegas expressam a sua legítima indignação, em geral publicamos tudo. Raríssimas vezes deixei de publicar algum comentário, assim mesmo dado ao teor marcadamente preconceituoso, ou de baixo calão, ou com ofensas gratuitas. Mas, a regra é fazer desse espaço o mais democrático e engajado com a nossa luta. Por isso, as críticas são importantes - contra os dirigentes sindicais, contra mim, contra o Papa, quando necessário - claro que de preferência sem ofensa pessoal ou sem a generalização que se costuma fazer.

No que tange à greve da cidade de Betim, como todas as greves dos educadores do Brasil, tem a nossa integral solidariedade. Podem contar conosco na divulgação e na crítica da ação pusilânime dos governantes locais e na da mídia comprada, que costumeiramente tenta minar a luta dos oprimidos. E infelizmente as lutas isoladas nos municípios tornam-se, em muitos casos, fragilizadas pelo isolamento.

Quanto à caravana a Brasília, receio que as entidades tenham feito muito pouco para que ocorresse uma grande manifestação de protesto naquele local. O que não deixa de ser um equívoco de avaliação, pois talvez essa seja a questão mais importante a ser tratada nos últimos anos para os professores: a definição final do STF sobre se piso é piso mesmo ou teto, e sobre o terço de tempo extraclasse que consta da lei.

Estaremos amanhã em BH - eu particularmente estarei na assembléia às 14h, acompanhando a caravana de Vespasiano e São José. Espero encontrar os colegas de luta para analisarmos a situação e fazermos propostas, no espaço que houver. O nosso blog está aberto para que a colega Beatriz, quando julgar que tenha tempo para tal, possa responder às críticas formuladas à direção do Sind-UTE. Assim como continua aberto para aqueles que criticam a ação do sindicato, ou do blog, ou do governador Anastasia, ou da presidenta Dilma, ou do presidente Obama.

Se não formos até Brasília, para manifestar a nossa revolta pessoalmente em frente ao STF e demais espaços dos poderes constituídos, tentaremos transformar este espaço aqui do blog numa trincheira aberta, a comentar e a informar e a repercutir as muitas vozes dos que nos visitam.


P.S. Cliquem aqui para saber mais sobre a paralisação em Betim.


"Luciano História:

Euler, eu elogio a atuação que o sindicato teve na revolta-greve mas critico o sindicalismo pelego que está ocorrendo e sinceramente gostaria de alguns esclarecimentos do sindicato:

1- o piso-teto nacional é 1187,00 por 40 horas, de onde veio esse valor de 1597,00 piso-salário base por 24 horas da CNTE? Querem que a gente lute pelo piso se o valor estabelecido pela CNTE não está na lei do piso?

2- Por qual motivo não se cobra do governo federal o valor determinado pela CNTE?

3-Por qual motivo o sindicato defende tanto o governo federal se a lei do piso da forma que se encontra atualmente não resolve o nosso problema?

Faço esses questionamentos no blog do euler pois se depender do site do sindute para obter alguma resposta.....
"

"João Paulo Ferreira de Assis:

Prezado amigo Professor Euler

Eu, posto que jamais haja usado o termo ''corja'', empregado pelo nosso colega Marcos, entendo a posição dele. Uma das coisas que tenho observado é que o SINDUTE só aparece aqui no blog para responder algum questionamento quando alguma palavra menos reverente surge na crítica ao referido sindicato. Tempos atrás nós discutimos aqui a federalização. E em nenhum momento a companheira Beatriz Cerqueira participou de nossa discussão, sequer para nos prestar apoio (ou discordar de nós) e quem, sabe, como futura opção de luta. Tenho observado que a APEOESP também não apoia a luta pela federalização. Não sei porque os sindicatos estaduais não avocam a si esta bandeira. Sinceramente não entendo. Planejava estar presente amanhã, mas não haverá ônibus para a turma de Barbacena. Vi que não basta dar o nome. Minha terra Senhora dos Remédios vai levar uma van, e os lugares já estão todos preenchidos. Lastimo muitíssimo pois iria inscrever-me para falar e defender a federalização. Peço a algum companheiro que esteja presente que o faça. Serei muito grato.

Post Scriptum:

Prestes irei completar meus 25 anos de magistério. Tenho 51 anos, e irei completar os 52 no mês que vem. Estou tão desiludido que vou solicitar meu afastamento. "


"Anônimo:

é amigos, hoje tem mais uma rodada de enrolação! e até faço uma aposta, o sindute vai vir com uma proposta feita pelo governo para daqui 90 dias, vai fazer uma cena, e no final dizer que vai marcar uma outra reunião, e outra reunião, e outra reunião, e tome enrolaçao, e tome enrolaçao. e vamos continuar nesta o sindute fais que luta por nós, o governo faz que nos atende, e assim vamos continuar indo do nada para lugar nenhum. "

"Marcos:

Caro Euler,

Se maculei o seu blog com o "palavrão", não era a minha intenção. Mas a minha opinião sobre a direção do Sind-UTE, não só essa, mas a anterior a qual a Senhora Beatriz fez parte continua a mesma. Há uma inépcia muito grande, os filiados são tratados com total desprezo.

Eles se mostram como se estivessem fazendo uma favor estar nos representando. Se é assim, porque não larga o osso?
Tive de ouvi de uma diretora, que sempre ouvi este discurso e vou continuar a ouvir.

Por isso, eu não mudo uma letra do que disse, apenas não vou usar o termo novamente, por que o espaço não é meu.
As pessoas precisam entender melhor o que é respeito. Falta de respeito é só quando me atinge? E a forma como que tratam os filiados, não é falta de respeito?

Interessante que a Senhora Bestriz, não tratou em nenhum momento do texto sobre a TRANSPARÊNCIA NO SIND-UTE, DE FAZER UMA PRESTAÇÃO DE CONTAS QUE NÃO SEJA PARA INGLÊS VER, DETALHADA PARA SABERMOS O QUE TEM SIDO FEITO COM NOSSAS CONTRIBUIÇÕES SOADAS.

Eu não estou me escondendo, Senhora Beatriz, Meu nome é Marcos Faria e tenho um blog que antes não faria, minhas críticas eram pontuais, mas vou começar a esmiuçar mais esta entidade.

O Blog é www.mdfnoticias.blogspot.com "


Comentário do Blog: Caro colega Marcos, suas cobranças e manifestações serão sempre bem vindas no nosso blog. Mesmo não concordando com alguma posição, achamos importante que as diferenças se manifestem, e que as entidades venham a público sim, prestar conta daquilo que fizeram ou deixaram de fazer. É este o caminho que constrói a real unidade na luta.

P.S. Preparei uma Carta Aberta aos Ministros do STF que vou publicar hoje a noite aqui no blog. Amanhã também colocaremos o link da TV e da Rádio do judiciário, para que os professores de todo o Brasil possam acompanhar o julgamento da Adin 4167, previsto para as 14h do dia 30.

P.S.2: Resolvi publicar a carta mencionada acima agora mesmo, aqui no blog. Eis a seguir o teor da Carta, que já estou enviando para os senhores ministros do STF:

Carta Aberta aos ministros do STF

Prezados Senhores,

Os senhores deram uma grande contribuição para o amargo fim da carreira do magistério no Brasil quando quebraram, em decisão liminar, os dois pilares fundamentais da Lei do Piso do Magistério (11.738/2008): a definição de piso enquanto piso - e não enquanto teto ou somatória de todas as formas de remuneração - e o direito a um terço de tempo da jornada de trabalho para atividades extraclasse.

A carreira dos professores do ensino básico está praticamente deixando de existir, dadas às péssimas condições de trabalho e aos salários de fome que os profissionais recebem. Por todo o país as universidades e fundações do ensino superior estão fechando os cursos de licenciatura, pois não há procura por parte dos jovens estudantes.

Os salários praticados no Brasil para a remuneração dos professores, comparativamente às demais carreiras do mercado e do Estado com o mesmo de grau de formação acadêmica, são os mais baixos. E infelizmente, a decisão liminar que os senhores tomaram, atendendo ao pedido de alguns desgovernadores - os quais não demonstram qualquer compromisso com a Educação pública - contribuiu e muito para a citada realidade.

Um professor com curso superior hoje recebe entre um e três salários mínimos para a extensa atividade que pratica, às vezes em dois ou até três cargos, acumlando cargos públicos e privados. E é justamente nas costas desses educadores que recai a responsabilidade atribuída por governantes para a solução de todos os problemas por que passa o país. Ante a fome, ao desemprego, à criminalidade, as elites políticas do Brasil dão a mesma resposta: falta uma educação pública de qualidade. Mas, as palavras não correspondem aos fatos.

No lugar dos atos, os governos praticam propaganda, quase sempre enganosa, a dizer que os índices da Educação básica estão melhorando, que agora os professores têm um piso salarial, que em breve terão plano de carreira, e etc e tal. Olhai, no entanto, a realidade, senhores ministros do STF. A realidade das periferias dos grandes centros, onde falta de tudo um pouco. Ou muito. Olhai a realidade dos professores, mal remunerados, sem políticas sérias de formação continuada, desestimulados em função de horizontes pouco claros. Para os professores, os governantes prometem o futuro, de uma arrecadação melhor que há de acontecer, ou do pré-sal. Mas, os senhores sabem bem que ninguém vive de futuro, ninguém paga as contas do dia-a-dia com promessas de um futuro que não chega nunca.

O piso salarial do magistério, após um longo tempo de maturação no Congresso Nacional, decepcionou pelo valor e pela jornada de trabalho: R$ 950,00 para 40 horas de trabalho, atualizado hoje, quase três anos depois, para R$ 1.187,00 para a mesma jornada de 40 horas. As poucas coisas boas que a Lei do Piso trazia eram justamente os itens que os senhores trataram de suspender liminarmente, atendendo a pedido de cinco desgovernadores, na famigerada ADI 4167. E nem havia justificativa séria para tal ação movida por aqueles senhores, uma vez que a lei previa uma complementação, por parte da União, para aqueles entes federados que provassem não poder pagar o piso de forma integral.

Mas, agora, no próximo dia 30, os senhores terão a possibilidade de corrigir a medida liminar que tomaram e de uma vez por toda, dar à Lei do Piso a vigência - e a existência - que não aconteceu até agora. Piso é vencimento básico, é piso, e não a somatória de básico e penduricalhos. Não fosse dessa forma, não haveria sentido algum votar uma lei voltada para criar um patamar mínimo para uma carreira tão desvalorizada quanto a dos professores. O piso enquanto teto, e não enquanto piso, descaracteriza a lei - descaracteriza o próprio conceito de piso. Torna-a inútil, sem qualquer funcionalidade, e provoca, justamente para os professores mais antigos, que adquiriram gratificações ao longo da carreira, uma profunda injustiça.

Quanto ao terço de tempo extraclasse da jornada de trabalho, é o mínimo que se pode oferecer aos professores, para que possam preparar as aulas, corrigir trabalhos e avaliações, participar de reuniões interdisciplinares ou com a supervisão e direção escolares, realizar pesquisas etc. Há governantes que atribuem aos professores o papel de tomadores de conta de crianças e jovens, não havendo necessidade deste tempo mínimo extraclasse para a preparação das atividades pedagógicas. Mas, creio que os senhores sabem perfeitamente que uma Educação de qualidade requer o mínimo de tempo para um desempenho eficaz por parte do profissional. E o terço de tempo da jornada é este mínimo. O ideal seria 50% do tempo ou mais, como acontecem nas melhores escolas federais. Não é justo que precisamente o ensino público básico, voltado para as famílias de baixa renda receba tratamento inferiorizado. Ao estabelecer este tempo mínimo extraclasse, o legislador percebeu que era importante criar um padrão nacional de qualidade, justamente para impedir que governantes transformem os educadores em tomadores de conta de crianças e jovens, como é comum acontecer Brasil afora.

Portanto, senhores ministros, está nas mãos dos senhores uma decisão que poderá contribuir para que a carreira do professores do ensino básico ganhe uma sobrevida, com possibilidades de melhorias no presente e no futuro. Como também, a depender da decisão autônoma que os senhores tomarão, poderá representar a pá de cal que faltava para proclamar o encerramento das poucas possibilidades que ofereceram para os professores nos últimos anos.

Espero que, para além das pressões que os senhores possam receber de governantes, pró ou contra a referida ADI, os senhores tenham a grandeza de olhar para as novas gerações deste país; para o presente e para o futuro. Para que depois não se fale nos discursos que os ex-governantes (ou ex-ministros) não fizeram aquilo que deveriam fazer. Os senhores têm agora a possibilidade de fazer o que é certo. É isso que dois milhões de professores esperam ansiosamente que aconteça no dia 30.

Atenciosamente,

Euler Conrado

Professor do ensino público da rede estadual de Minas Gerais

Vespasiano, em 29/03/2011.


"marisa:

Luto oficial adia julgamento da ADI do Piso no STF O Supremo Tribunal Federal suspendeu a sessão plenária desta quarta-feira, 30, em que seria julgado o mérito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4.167), em razão do luto oficial pela morte do ex-vice-presidente da República José Alencar.
"

"
Anônimo:

Euler , de noticias da assembleia para nós aqui do interior ´por favor ! porque se formos esperar pelo sindute infelismente não vamos saber de nada. e a proposito gostaria muito de ver você fazendo parte da direção do sindicato no futuro, isto é, se a turma deixar. digo turma porque não pode falar cor.... mais apoio tudo o que o companheiro Marcos falou .
"


8 comentários:

  1. Caro Euler,

    Concordo plenamente com o que disse. Estive analisando e cheguei a conclusão de que o Sind-UTE está defendendo o subsídio porque viu uma grande possibilidade de aumentar a arrecadação.
    Antes o desconto era feito sobre o piso, que era muito baixo. agora passou a ser pelo valor total dos proventos que passou a se chamar subsídio.
    Conclusão, não estão nem aí para os professores e principalmente os filiados.
    Já decidi, para esta corja não contribuo mais. querem vida mansa nas costas dos outros, podem até ter, mas não na minha.

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  2. Olá Euler, boa noite!
    A organização de caravana para Brasília para o dia 30/03 foi encaminhada às subsedes.
    Acho uma pena alguns comentários como "corja" que estão postados no seu blog, a liberdade de expressão é fundamental assim como respeitar o outro. Cada um escolhe um tipo de militância. É uma pena avaliarmos no mesmo patamar a postagem de informação feita pela Secretaria e pelo sindicato. Avaliamos coletivamente que a assembleia do dia 29 é para socializarmos e avaliarmos o processo de discussão que tenha ocorrido após o dia 24/02. O espaço é a assembleia. Após a assembleia, com a avaliação feita pela categoria, que organizamos boletim informativo e formativo. O espaço coletivo é a nossa assembleia.
    Enquanto alguns tem tempo para depreciar as pessoas sem sequer ter a coragem de assinar, outras pessoas estão encaminhando a luta e é por isso que recorri ao seu blog. Gostaria de pedir para divulgar a greve da rede municipal de Betim. Temos enfrentado a máquina da Prefeitura com propaganda na Globo, intervenção nas escolas em que a direção apóia a greve, corte do ponto, etc. Se puder divulgar, seria muito importante.
    Quanto as falas, aceito as críticas, não aceito ofensa. Vou reservar um tempo para discutirmos as críticas e responder as ofensas. Mas primeiro, vou pra luta, pra frente de batalha. Prefiro isso do que ficar no computador criticando quem trabalha. As redes sociais são importantes para fortalecer, não um instrumento para dividir.
    Um abraço,
    Beatriz Cerqueira

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  3. Euler, eu elogio a atuação que o sindicato teve na revolta-greve mas critico o sindicalismo pelego que está ocorrendo e sinceramente gostaria de alguns esclarecimentos do sindicato:
    1- o piso-teto nacional é 1187,00 por 40 horas, de onde veio esse valor de 1597,00 piso-salário base por 24 horas da CNTE?Querem que a gente lute pelo piso se o valor estabelecido pela CNTE não está na lei do piso?
    2- Por qual motivo não se cobra do governo federal o valor determinado pela CNTE?
    3-Por qual motivo o sindicato defende tanto o governo federal se a lei do piso da forma que se encontra atualmente não resolve o nosso problema?
    Faço esses questionamentos no blog do euler pois se depender do site do sindute para obter alguma resposta.....

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  4. João Paulo Ferreira de Assis29 de março de 2011 00:15

    Prezado amigo Professor Euler

    Eu, posto que jamais haja usado o termo ''corja'', empregado pelo nosso colega Marcos, entendo a posição dele. Uma das coisas que tenho observado é que o SINDUTE só aparece aqui no blog para responder algum questionamento quando alguma palavra menos reverente surge na crítica ao referido sindicato. Tempos atrás nós discutimos aqui a federalização. E em nenhum momento a companheira Beatriz Cerqueira participou de nossa discussão, sequer para nos prestar apoio (ou discordar de nós) e quem, sabe, como futura opção de luta. Tenho observado que a APEOESP também não apoia a luta pela federalização. Não sei porque os sindicatos estaduais não avocam a si esta bandeira. Sinceramente não entendo. Planejava estar presente amanhã, mas não haverá ônibus para a turma de Barbacena. Vi que não basta dar o nome. Minha terra Senhora dos Remédios vai levar uma van, e os lugares já estão todos preenchidos. Lastimo muitíssimo pois iria inscrever-me para falar e defender a federalização. Peço a algum companheiro que esteja presente que o faça. Serei muito grato.

    Post Scriptum:

    Prestes irei completar meus 25 anos de magistério. Tenho 51 anos, e irei completar os 52 no mês que vem. Estou tão desiludido que vou solicitar meu afastamento.

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  5. é amigos, hoje tem mais uma rodada de enrolação! e até faço uma aposta, o sindute vai vir com uma proposta feita pelo governo para daqui 90 dias, vai fazer uma cena, e no final dizer que vai marcar uma outra reunião, e outra reunião, e outra reunião, e tome enrolaçao, e tome enrolaçao. e vamos continuar nesta o sindute fais que luta por nós, o governo faz que nos atende, e assim vamos continuar indo do nada para lugar nenhum.

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  6. Caro Euler,

    Se maculei o seu blog com o "palavrão", não era a minha intenção. Mas a minha opinião sobre a direção do Sind-UTE, não só essa, mas a anterior a qual a Senhora Beatriz fez parte continua a mesma. Há uma inépcia muito grande, os filiados são tratados com total desprezo.
    Eles se mostram como se estivessem fazendo uma favor estar nos representando. Se é assim, porque não larga o osso?
    Tive de ouvi de uma diretora, que sempre ouvi este discurso e vou continuar a ouvir.
    Por isso, eu não mudo uma letra do que disse, apenas não vou usar o termo novamente, por que o espaço não é meu.
    As pessoas precisam entender melhor o que é respeito. Falta de respeito é só quando me atinge? E a forma como que tratam os filiados, não é falta de respeito?
    Interessante que a Senhora Bestriz, não tratou em nenhum momento do texto sobre a TRANSPARÊNCIA NO SIND-UTE, DE FAZER UMA PRESTAÇÃO DE CONTAS QUE NÃO SEJA PARA INGLÊS VER, DETALHADA PARA SABERMOS O QUE TEM SIDO FEITO COM NOSSAS CONTRIBUIÇÕES SOADAS.
    Eu não estou me escondendo, Senhora Beatriz, Meu nome é Marcos Faria e tenho um blog que antes não faria, minhas críticas eram pontuais, mas vou começar a esmiuçar mais esta entidade.
    O Blog é www.mdfnoticias.blogspot.com

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  7. Luto oficial adia julgamento da ADI do Piso no STF O Supremo Tribunal Federal suspendeu a sessão plenária desta quarta-feira, 30, em que seria julgado o mérito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4.167), em razão do luto oficial pela morte do ex-vice-presidente da República José Alencar.

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  8. Euler , de noticias da assembleia para nós aqui do interior ´por favor ! porque se formos esperar pelo sindute infelismente não vamos saber de nada. e a proposito gostaria muito de ver você fazendo parte da direção do sindicato no futuro, isto é, se a turma deixar. digo turma porque não pode falar cor.... mais apoio tudo o que o companheiro Marcos falou .

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