quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Educadores denunciam abuso de autoridade em escola



O nosso blog recebeu um relatório contendo uma denúncia de possível abuso de autoridade e assédio moral por parte de uma pessoa que ocupa cargo de chefia numa dada Metropolitana da SEE-MG. Esta pessoa teria visitado uma determinada escola e agido de maneira rude com os profissionais da Educação. Entre outras coisas, a tal chefe teria adentrado as salas de aula sem pedir licença aos professores que atuavam como regentes e realizado cobranças e críticas na frente dos alunos. Ainda segundo este relatório a tal pessoa chegou inclusive a arrancar o diário de classe das mãos de uma professora, fazendo ameaças do tipo: "toma cuidado com a sua avaliação de desempenho". Esta pessoa, sempre de acordo com o relatório mencionado, teria visitado a escola em dias diferentes, sem sequer dirigir uma palavra de cordialidade aos trabalhadores, "impondo toda a sua autoridade".

Como o relatório não é assinado, pois os profissionais da Educação envolvidos estão temerosos de perseguição, estou publicando aqui apenas uma síntese daquilo que foi denunciado, sem citar o nome dos envolvidos, a escola, etc.

Mas, não posso deixar de fazer um breve comentário a seguir.

Já passa do tempo de alguns chefes e diretores e outros cargos hierarquicamente superiores se darem conta de que a escravidão no Brasil já acabou. E que vivemos uma democracia que, ainda que capenga, foi conquistada graças ao suor e sangue de muita gente que deu a vida para respirarmos um pouco de liberdade. E que o serviço público é regido por leis, normas e princípios, entre os quais o da impessoalidade e da moralidade, além de uma conduta ética que inclui o tratamento cortês com os colegas de trabalho e com a comunidade. Práticas de arrogância e ditatoriais denotam despreparo profissional para com o serviço público e especialmente para a função a qual supostamente se exerce.

Claro que não podemos generalizar, pois todos nós conhecemos muita gente boa com cargos de confiança ou hierarquicamente superiores. Pessoalmente conheço diretores/diretoras, vice-diretores/diretoras, inspetoras e supervisoras que têm o maior respeito pelos profissionais. Este ano mesmo na minha escola tive a oportunidade de conversar ou ter um rápido contato com duas inspetoras da Metropolitana C que deixaram uma ótima impressão, de profissionais sérias, dedicadas, zelosas pelo trabalho e com grande respeito pelos educadores.

Não parece ser este o caso da tal pessoa denunciada no relatório que alguns colegas educadores elaboraram. Como não possuo nenhuma prova ou testemunho ou mesmo algum registro além do relatório digitado que chegou à minha caixa de correio eletrônico, não cometerei a irresponsabilidade de citar nomes de quem quer que seja. Mas, aconselho os colegas educadores a encaminharem a denúncia em três órgãos pelo menos: na SEE-MG, no Ministério Público e na Polícia Militar para a abertura de inquérito criminal caso se repita a prática de assédio moral. Encaminhem também para o departamento jurídico do Sind-UTE-MG.

Não podemos conviver de maneira alguma com práticas de arrogância e de desrespeito com os trabalhadores da Educação, ou quaisquer outros. O sindicato inclusive precisa estar atento a estas práticas, para cortar o mal pela raiz. Quem for autoritário, e se julgar no direito de punir os colegas educadores por conta de um eventual cargo de poder deve ser denunciado e responsabilizado civil e criminalmente, caso necessário. Democracia e autonomia no interior das escolas são temas que não podem ser negligenciados. Muitos profissionais adoecem por conta de tratamentos de choque por parte de chefes despreparados. Saibamos nos unir e nos organizar para combater estas práticas.

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Incorporo ao texto central o comentário sempre lúcido do nosso combativo colega e amigo João Paulo:

"Infelizmente é assim mesmo. No dia 15 de setembro de 2008, ocorreu uma violenta chuva de granizo em Carandaí, que foi noticiada no jornal Nacional da Globo e nos outros telejornais. Grande parte da cidade foi destruída. A Igreja Matriz, teve o seu telhado feito em pedaços, e o granizo colidiu violentamente com a laje da Igreja furando-a. Casas de professores, como a da Professora Vânia Pereira, de Português perderam todo o seu telhado. Escolas tiveram destruição, o Patrus de Sousa (onde leciono) ficou sem um vidro inteiro. No Francisco do Carmo os computadores foram destruídos. No Colégio Municipal a biblioteca ficou em escombros. POIS BEM, NÃO É QUE UMA INSPETORA DA SUPERINTENDÊNCIA VEIO COBRAR QUANDO É QUE NÓS IRÍAMOS REPOR AS AULAS? A vice-diretora, nervosa atirou na cara da tal mulher a insensibilidade dela: a cidade destruída e a senhora, sem solidariedade alguma vem falar em obrigação da escola de repor as aulas?

João Paulo Ferreira de Assis".


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Solidariedade aos educadores em greve na cidade de São João de Meriti, no Rio de Janeiro.

"COVARDIA EM SÃO JOÃO DE MERITI

Prefeito de São João afasta oito diretoras na tentativa de reprimir a greve nas escolas municipais

Os profissionais de educação das escolas municipais de São João de Meriti entraram em greve ontem (dia 18 de agosto). Na manhã desta quinta-feira (dia 19 de agosto), o prefeito Sandro Matos (PR) anunciou o afastamento de oito diretoras de escolas, numa tentativa de intimidar o movimento e fazer com que os profissionais de educação reabram as escolas. A categoria exige 37% de reajuste emergencial para recompor as perdas salariais - há dois anos que os salários dos profissionais estão congelados. Neste momento, o Sepe está promovendo um ato show e uma panfletagem na Praça da Matriz (Centro do município) e um forte contingente da guarda municipal se encontra no local, o que contribui para deixar o clima mais tenso."

Leiam texto completo no blog S.O.S Educação Pública clicando aqui.

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Leiam também e copiem o Jornal da subsede do Sind-UTE de Ipatinga, clicando aqui (em pdf).

2 comentários:

  1. João Paulo Ferreira de Assis21 de agosto de 2010 10:26

    Infelizmente é assim mesmo. No dia 15 de setembro de 2008, ocorreu uma violenta chuva de granizo em Carandaí, que foi noticiada no jornal Nacional da Globo e nos outros telejornais. Grande parte da cidade foi destruída. A Igreja Matriz, teve o seu telhado feito em pedaços, e o granizo colidiu violentamente com a laje da Igreja furando-a. Casas de professores, como a da Professora Vânia Pereira, de Português perderam todo o seu telhado. Escolas tiveram destruição, o Patrus de Sousa (onde leciono) ficou sem um vidro inteiro. No Francisco do Carmo os computadores foram destruídos. No Colégio Municipal a biblioteca ficou em escombros. POIS BEM, NÃO É QUE UMA INSPETORA DA SUPERINTENDÊNCIA VEIO COBRAR QUANDO É QUE NÓS IRÍAMOS REPOR AS AULAS? A vice-diretora, nervosa atirou na cara da tal mulher a insensibilidade dela: a cidade destruída e a senhora, sem solidariedade alguma vem falar em obrigação da escola de repor as aulas?

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  2. Uma diretora pode entrar em sala de aula e questionar na frente dos alunos , a dinamica da aula?

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