sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Debate na Band: uma análise


O debate entre os candidatos ao governo de Minas, que ocorreu na noite do dia 12, abordou vários temas, a maioria deles de forma superficial. O debate de idéias é sempre importante. Mas, infelizmente, como estava previsto, a Band excluiu os candidatos Vanessa Portugal do PSTU e Fábio Bezerra do PCB, que são dois educadores e que poderiam falar com maior propriedade sobre a realidade da Educação pública em Minas. Uma pena, para a Band e para os eleitores.

Agora, vamos às análises. O debate começou morno e assim prosseguiu até o quarto bloco. Pensei até que não haveria um confronto direto entre os candidatos do PMDB-PT e o afilhado do faraó. O candidato do PMDB-PT falou duas ou três vezes sobre a questão do achatamento salarial dos servidores e especialmente do piso dos professores, embora não tenha detalhado sobre este tema.

Já o candidato-afilhado nada falou sobre os salários dos servidores. Considerou apenas que já foi uma grande conquista ter conseguido colocar os pagamentos em dia no quinto dia útil do mês, pagar o décimo terceiro e um décimo quarto - que na verdade é cerca 80% de um salário e não um salário integral. Não fez nenhuma promessa ou compromisso com os servidores. Disse apenas que é preciso continuar avançando. Avançando em que direção, caro governador?

O candidato do PMDB-PT tem o discurso generalista (ou seria populista?) de criticar os pontos fracos do atual governo - a falta de investimento no social, o achatamento salarial dos servidores, etc. - mas, não fundamenta sua crítica com propostas concretas. Não disse textualmente, por exemplo, que vai pagar as novas tabelas dos educadores e incluir as gratificações como o quinquênio e também o tempo de serviço. Ou mesmo que vai pagar o reposicionamento que o atual governo deixou de pagar. São coisas simples, que a assessoria do candidato, na cota-parte do PT, bem que poderia ajudá-lo. Mas, isso implica em compromisso assumido que seria cobrado. Se ele não assume estes compromissos é porque não deseja realizá-los.

O candidato-governador-afilhado, igualmente, ao não assumir nenhum compromisso concreto com os servidores, não se verá obrigado a praticá-lo, a não ser - e aí vale para qualquer governante - na base da pressão direta, da luta, como fizemos na nossa maravilhosa revolta dos 47 dias.

Os candidatos dos partidos menores, como os do PSOL, do PV e do PT do B tiveram importante participação no debate. Foram eles, aliás, que introduziram no debate a questão do royalties (uma espécie de taxa pela exploração ou direito de uso) do minério de ferro. De fato, essa é uma das muitas provas da ineficiência dos diferentes governos que passaram por Minas, incluindo o atual. Empresas como a Vale exploram e vendem o minério sem que paguem adequadamente impostos e taxas por isso. É mais ou menos o que acontece com os bancos em escala nacional. Eles lucram bilhões todos os anos e dão uma mixaria em contrapartida para a sociedade. Eles ficam mais ricos e nós ficamos mais pobres.

Não houve o que se poderia chamar de um "vencedor" no debate ou alguém que se destacasse, como aconteceu no debate nacional, quando o candidato Plinio Sampaio do PSOL se sobressaiu, por ter conseguido passar uma mensagem direta, sem rodeios, de forma simples e ao mesmo tempo com a carga da experiência de um velho militante de esquerda.

O afilhado é um técnico por formação e sua fala é sempre calculada milimetricamente, sem grandes emocões. Tem o mérito que ele próprio lhe atribui, de não assumir compromissos que ele julga não poder cumprir. Isto quando o assunto é remuneração dos servidores. Mas, quando o assunto é grandes obras, aí ele perde a modéstia e assume compromissos que talvez ele não possa cumprir. Portanto, continua valendo a velha questão da prioridade: onde, em que setor, pretende-se investir prioritariamente? Seguramente, no caso do candidato-governador-afilhado, a prioridade não será o salário dos servidores.

Já o candidato do PMDB-PT, por assumir compromissos genéricos com quase tudo e todos, acaba por não assumir compromisso com nada. Vai investir prioritariamente no social, diz. É preciso desdobrar esta palavrinha mágica chamada "social" em conteúdos concretos. É preciso pegar o orçamento público e dizer: este e aquele recursos, que iriam para obras faraônicas, agora vão para os servidores da Educação, da Saúde, da Segurança... e desdobrar em valores na moeda corrente: tantos mil reais de salário para os professores, e assim por diante.

O candidato do PSOL falou também genericamente em distribuir renda - coisa complicada este negócio de distribuir renda no capitalismo! Um leitor que seja minimamente neófito na teoria marxiana saberá que esta equação não cabe na realidade da reprodução do mercado, a menos que implique numa subversão das leis do capital - do mercado e do estado. Mas, este é um papo mais longo, que num dia de folga eu levo com vocês.

Prometeu pagar a todos os servidores - não de imediato, mas enquanto meta, logo, coisa que qualquer candidato poderia fazê-lo - o salário de R$ 2.700,00, que é o salário recomendado pelo DIEESE. Mas, teve o mérito de criticar frontalmente a política neoliberal praticada aqui em Minas pelo governo do faraó e afilhado.

O candidato do PV deu destaque à questão do minério de ferro, do café e do leite que saem de Minas, como produtos primários, sem que se agregue riqueza, e que portanto acabam dando pouco retorno para o estado e para o país. Falou também do investimento prioritário na ferrovia no lugar das estradas, o que não deixa de ser uma coisa importante.

O candidato do PT do B teve uma participação modesta, mas elegante, que de maneira alguma lembra aquelas candidaturas ridículas de outras épocas.

Ah, mais um detalhe: os principais candidatos (principais, segundo as pesquisas e a mídia), o afilhado e o do PMDB-PT em várias oportunidades procuraram colar a imagem deles a de seus padrinhos políticos, respectivamente o faraó e o atual presidente da República. O afilhado do faráo, que não é bobo nem nada, não tocou no nome do Serra. Já o candidato do PMDB-PT fez questão de enfatizar que é o candidato do Lula e da Dilma. E do Patrus. Haja padrinhos, kkk.

Enfim, o debate não acrescentou muito em matéria de compromissos com os servidores públicos em geral e com os da Educação pública em especial. Quero ouvir os candidatos dizendo e assinando um documento com o seguinte teor (isso para os educadores):

a) vou pagar as novas tabelas salariais em janeiro de 2011,
b) vou fazer o posicionamento de acordo com o tempo de serviço de cada um,
c) vou devolver e pagar o quinquênio a todos os servidores,
d) vou retornar com os índices de promoção e progressão do atual plano de carreira, e
e) vou realizar reajuste anual dos salários, em janeiro de cada ano, pelo menos com o índice da inflação.

Sem estes compromissos, entre outros, o discurso se torna oco. E o nosso instrumental de luta precisa mais do que nunca ser mantido lustrado, azeitado e escovado para os novos embates que travaremos, seja quem for o eleito. É neste debate - o da luta nas ruas, nas praças - que eu pessoalmente me envolvo de corpo e alma e coração. Amém.

* * *

Leiam também:

- O artigo do nosso colega e amigo Wladmir Coelho, coordenador do Blog do COREU - O DEBATE FOI PATROCINADO POR LEXOTAN ?

- S.O.S. Educação Pública: Mas doutô uma esmola a um homem qui é são ...

- Pedro Porfírio - Blog do COREU: Tem moral para censurar o Irã quem silencia diante do genocídio dos palestinos?

- Náufrago da Utopia: VIÚVAS DA DITADURA GERAM FACTÓIDE QUE DESMANCHARÁ NO AR


- Blog Em Greve: Greve dos professores da rede Municipal de Goiânia

8 comentários:

  1. Tive a mesma impressão: do muito que se falou, pouco foi dito.Se bem que compromissos assumidos pré-eleição, quase nunca são cumpridos mesmo!!!
    Sobre o encontro em Betim na segunda...será que os candidatos vão comparecer e esclarecer melhor os planos para educação, uma vez que o encontro será com o sindicato e o tema abordado será EDUCAÇÃO????
    "Em Betim, a Plenária acontecerá na próxima segunda-feira (16/08), às 18 horas, na E.E. Nossa Senhora do Carmo. Além do debate sobre os resultados da greve e a Campanha de Filiação, haverá esclarecimentos sobre a Lei 8975/2010 (que institui o subsídio), e debate com os candidatos e candidata ao governo de Minas Gerais".

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  2. eu de novo( Professora Sonâmbula)13 de agosto de 2010 04:36

    Sabe aquela frase que costumamos usar : "Não sou dona do mundo, mas sou filha do dono"????....olha o plágio....rs
    "Não sou Aécio Neves, mas sou aquele escolhido por ele", diz Anastasia
    Ivone

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  3. Bom dia Euler. É preciso deixar claro que dos cinco compromissos que você elencou para a educação, existe um candidato que certamente não irá cumprí-los.Este candidato é o tucanóide que nos provoca AZIA. Portanto, os outros postulantes, mesmo aquele ex-global, representam uma nova luta da categoria e, no meu modo de ver, é este o viés que devemos levar para as urnas. Ou seja, é preciso primeiramente derrubar essa ditadura neoliberal, fascista, reacionária, megalomaníaca e narcisista implantada em Minas Gerais após 2003. Depois é outra luta e, com a força demonstrada pela nossa categoria nos meses de Abril e Maio, certamente estaremos prontos para vencê-la. Inté.
    Eduardo - Professor de História/ BH.

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  4. O que eu não consigo entender é que do que nós pedimos para a proposta da nova tabela do governo não está tão longe. Valorização do tempo de serviço, se o governo fala que não dá para pagar os 10% do quinquenio que se pague 7% , 6% ou até mesmo 5%, mas o tempo tem que ser valorizado de alguma forma. Carga horária de 24 com 1/3 para planejamento e reajuste anual de tal forma que o sálario base fique em torno de 2,5 do mímimo ( 5 salários para dois cargos );o mínimo deve está em torno de 550,00 ano que vem. Carga horária de 30 para os professores do infantil que já trabalham essa carga horária mas que ganham pela de 24 .Isso ainda é pouco mas, é possivel de imediato e eu não entendo o fato de nenhum candidato apresentar uma proposta concreta .
    Luciano

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  5. Grande Euler;

    Infelizment, só acontecem até então estratégias para garantir votos do povão. Mas uma coisa é certa, se ambos não adotarem medidas mais sensatas para com nossa categoria. A solução é simples: GREVE NELES!!!

    Um abraço;

    Professor Paulo Miquéias

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  6. Eu ainda espero que Helio assuma o seguinte compromisso que o Euler já mencionou:pagar os valores da nova tabela com os reajustes anuais defenidos mais os quinquenios para todos e não apenas para quem os possuiam. Votar em um candidato pelo fato de você ser anti-anastasia é ruim , o certo era votar acreditando de fato que ele é o melhor.Um amigo meu que é arquiteto e simpatizante do PSDB disse algo que eu fiquei preocupado, ele mencionou que o único candidato que de fato apresentou uma proposta concreta para os professores e a transformou em lei foi o governador e se ele tivesse feito isso antes da greve venceria as eleições com facilidade, já o Helio fala que vai manter os bienios e quinquenios mas nada sobre o valor do salário, além disso o que o Helio quiz dizer ao mencionar que a nova tabela ilude o professor?Nós professores merecemos um plano já bem definido de como será a educação e a valorização do profissional.
    Luciano

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  7. João Paulo Ferreira de Assis13 de agosto de 2010 23:12

    Gente, eu estou com medo. O filhote do Faraó já cresceu 20% e Hélio Costa, apenas 8%, e tudo isso, antes do horário eleitoral. Tenho medo que Aécio consiga reverter a situação. É verdade que ainda temos alguma esperança, a rejeição do filhote está em 28,9%, e a do Hélio, em 19%. O problema é que Hélio fica falando demais, e colocando o faraó em evidência, quando nem menciona o Zito Vieira. Há muita gente que pensa que Virgílio Guimarães é candidato ao Senado.

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  8. Euler,
    Precisamos que o Sindicato pressione o candidato Hélio Costa cobrando propostas concretas sobre os professores.Somos anti Anastasia, mas não podemos dar nosso voto de graça sem ter certeza que nossas reinvindicações serão atendidas. Este é o momento. O filhote de Faraó está apavorado.

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