sábado, 15 de maio de 2010

Pelo emprego, contra o corte dos dias parados e por um salário mais justo


Companheiros da luta, boa noite!!!

O eixo central da nossa luta neste momento pode ser resumido em três pilares:

1) a manutenção do emprego de todos os educadores em greve. Não podemos aceitar a demissão de nenhum trabalhador grevista e devemos lançar mão das estratégias mais apropriadas para impedir que o governo demita qualquer companheiro em greve. Esta ameaça passou a existir mais fortemente após a decretação da ilegalidade da greve. O atual governo tem precedentes de práticas de perseguição e truculência, daí estarmos atentos e prontos para o combate a essa prática;

2) o não corte de ponto dos dias parados. Se cortarem o ponto, como já foi dito pela coordenadora do Sind-UTE inúmeras vezes, nós não temos compromisso com a reposição das aulas. Se querem assegurar os 200 dias letivos a que lei federal obriga, o governo deve pagar por estes dias. Nunca foi problema para os educadores a reposição das aulas com qualidade após as greves. Mas, o governo Aécio-Anastasia tem precedente de cortar e não pagar a reposição. Por isso, a garantia de pagamento dos dias parados, mesmo que em folha extra, é pré-condição para qualquer tabela de reposição;

3) um salário melhor e maior do que o que recebemos atualmente é outra condição integrante da nossa luta. Não abrimos mão de um salário melhor, que pelo menos se aproxime do nosso piso de R$ 1.312,00. Se a categoria em assembléia avaliar e decidir manter a greve até a conquista deste item, contem comigo. Se for adotada uma outra estratégia - por exemplo, caso o governo aceite negociar valores de aumento do piso num prazo imediato e determinado, garantindo ao mesmo tempo a não demissão e o pagamento dos dias parados - podemos até estudar uma trégua na nossa greve, com tempo determinado e condicionada a um resultado na negociação com o governo. Contem comigo também para esta estratégia, desde que a categoria em assembléia esteja de acordo e convencida da sua eficácia.

O mais importante, volto a frisar, é a manutenção da unidade conquistada nessa greve e na força de mobilização demostrada nos últimos 36 dias de greve.

E aqui eu faço um pedido respeitoso e fraterno a todos: vamos parar de antecipar e difundir visões derrotistas! Nosso movimento está forte, tem uma direção que está agindo corretamente e nós temos todas as condições de alcançarmos os três pilares que mencionei acima. Se ficarmos divididos entre quem quer levar a greve até as últimas consequências e quem deseja simplesmente voltar a trabalhar sem uma estratégia de manutenção do movimento sob outras formas acabaremos enfraquecidos e perderemos uma oportunidade histórica de arrancar conquistas a nosso favor.

Muitos itens pesam contra a gente: o citado risco de demissão em função da ilegalidade da greve - no arranjo jurídico providencial que desembargadores do TJMG nos impuseram -, a pressão de pais de alunos e da mídia, o temor ao corte de salário, entre outros.

Mas, muitos itens pesam também a nosso favor: a necessidade do governo fechar o ano letivo com 200 dias e a obrigação constitucional do governo de investir 60% dos recursos do Fundeb com salários do magistério (professores, supervisores e diretores de escola) até o dia 31 de dezembro. Mesmo que o governo corte os dias parados ele só poderá gastar estes recursos com os nossos salários, sob pena de prática de improbidade administrativa. Além, é claro, do principal, que é a nossa união, força e capacidade de mobilizaçaão da comunidade.

Num ano eleitorial a força organizada de milhares de educadores em contato com alunos e pais de alunos seguramente fará toda a diferença. Por isso o tempo corre a nosso favor se soubermos pensar a nossa estratégia de ação como parte de um plano inteligente, voltado para arrancar conquistas do governo.

Como já foi dito inúmeras vezes, o prazo para reajuste geral de salários dos servidores já passou. Mas, o prazo para mudança de tabela de determinadas carreiras expira somente no dia 03 de julho. Portanto, até essa data, temos tempo para arrancar conquistas salariais, em forma de nova tabela salarial incorporando as gratificações. Outros arranjos que representem aumento real de salário podem ser pensados dentro deste prazo.

O governo em final de mandato também tem um prazo a cumprir: tanto em relação ao ano letivo de 200 dias, como em relação ao fechamento das contas do Fundeb. Sem falar no desgaste que seria para o governo enfrentar uma campanha eleitoral tendo 200 mil educadores no calcanhar dos candidatos do governo e de sua base.

Por isso, companheiros, devemos ter a visão do todo para não nos desesperarmos nem cairmos no maniqueísmo do tudo ou nada. A luta social não se resolve dessa forma. Temos que ter clareza daquilo que queremos alcançar - manutenção do emprego de todos os trabalhadores em greve, pagamento integral dos dias parados e aumento de salário - e utilizar as armas e mecanismos de que dispomos para enfrentar os desafios colocados.

Os dois primeiros itens - a garantia de emprego e o não corte dos dias parados - foram praticamente assegurados pela força da nossa greve que se expressou na reunião entre a direção do sind-UTE com o governo. Falta agora documentar, assinar, registrar e passar em cartório esses itens, pois não dá para acreditar num governo que tem a prática de não cumprir o que promete para os educadores.

O terceiro item, a questão salarial, que foi o que provocou a nossa mobilização, muito além daquilo que inicialmente todos nós imaginávamos, é o ponto mais difícil de alcançarmos. Mas, não é impossível. Temos uma brecha na fala do governo, também fruto da nossa mobilização: a possibilidade de incorporar os penduricalhos ao piso básico e com isso elevar o salário como um todo.

Inicialmente o governo manifestou a intenção de criar uma comissão mista para fazer estudos de uma nova engenharia das carreiras. Considerei aquilo uma enrolação, coisa para o próximo governo, no mínimo. Essa proposta não aceitamos.

Na segunda reunião com o sindicato, pelo que lemos através da mídia e da entrevista de Renata Vilhena, houve um sutil avanço da proposta inicial, com o governo falando numa revisão das carreiras incorporando algumas gratificações, já num cenário que pode ser colocado tanto no imediato como no futuro.

A secretária Vilhena admitiu que, havendo a revisão das carreiras seguramente haverá acréscimo no montante da remuneração. O governo evita falar em reajuste ou aumento salarial para tentar manter coerência com seu discurso de que em vista do prazo eleitoral e da Lei de Responsabilidade Fiscal não pode dar reajuste. Há um leve temor de que uma concessão para as carreiras específicas da Educação possa despertar as demais carreiras do Executivo. Mas, ele sabe que para um desfecho da nossa luta, se formos inteligentes e persistentes, terá ele que fazer concessões salariais. Dêem o nome que queiram dar para isso.

Em última instância, nós ainda temos outros mecanismos de boicotes, de denúncias e de mobilização da comunidade, desde que consigamos manter a nossa unidade de ação e tenhamos a capacidade de organizar uma rede de comunicação, de modo a organizar uma ação única e rápida contra o governo.

Em parte, o sindicato continuará como instrumento de organização deste processo. Mas, outros mecanismos horizontais, lançando mão da Internet e dos contatos entre as subsedes podem complementar e reforçar este trabalho em forma de rede de apoio.

Se conseguirmos manter e fortalecer nosso movimento, tanto durante a greve quanto na nossa volta ao trabalho (seja quando for) seremos mais respeitados pelos governos e pelas demais instituições de poder, incluindo a imprensa. Este será então mais um dos grandes saldos positivos da nossa greve.

E que nunca mais, nenhum governo, incluindo o atual em fim de mandato, ouse nos humilhar, cortar direitos e manter o baixo nível de valorização a que ficamos sujeitos nos últimos anos. A Educação pública pode ser salva sim, estou convencido disso. Mas, não pelas promessas de governantes e parlamentares, de presidentes, senadores ou governadores, mas pelas nossas próprias mãos. Pela força da nossa organização e da nossa unidade na luta.

No momento, o eixo da nossa luta está estabelecido: manutenção do emprego para todos os educadores em greve, o não corte dos dias parados e um salário mais justo para todos os educadores. Depois disso, novas conquistas virão!

P.S. Quem desejar ouvir a entrevista da secretária Renata Vilhena após a reunião do dia 12.05 é só acompanhar o áudio clicando aqui. O detalhe fica por conta da afirmação de que "o governo não negocia com trabalhadores em greve"... Isso depois de ter acabado de negociar com o sindicato em plena greve - kkkk.


15 comentários:

  1. Uma classe unida!!! Eis aí a nossa força!
    Já foi dito aqui: a divisão traz a derrota. Concordo Euler, qualquer colega que queira se manifestar e, deve fazê-lo, deve fazer uso de atitudes e palavras que possam LEVANTAR A ´FÉ e a ESPERANÇA DE TODOS. Lógico, sem deixar de ser realista: um pé no IDEAL e outro no REAL. Foi isso que aconteceu nesse movimento...Nos levantamo DO CHÃO. O que o governinho espera é que fiquemos onde estávamos...NO CHÃO. Gritemos aos quatro ventos;NÃO A esse governo e aos seus representantes. Não podemos perder tempo!

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  2. Em Sete Lagoas o movimento grevista da rede estadual de educação está desarticulado. Penso que os poucos companheiros/guerreiros que ainda acreditam nesta greve, não podem abaixar a cabeça devido ao desinteresse daqueles em atrapalhar e torcer contra os grevistas. Acredito na união desses guerreiros que incomodam muito a classe de pobres burgueses de nossa cidade. Pois esta classe ao meu modo de ver, não reivindicam uma educação pública de qualidade e sim por interesses individuais que desarticulam o movimento grevista nesta cidade que é a oitava em arrecadação de impostos do Estado de MG.
    Companheiros, no dia 18/05/2010 em nossa assembléia, façamos uma reflexão sobre esta qualidade e votemos na continuidade da greve.

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  3. Carol (Renato Azeredo)16 de maio de 2010 15:44

    Oi Euler,

    Sua postagem foi de extrema pertinência porque tenho visto pessoas que estão na luta conosco se envolvendo com a tal "visão derrotista", e tenho tentado explicar que as conquistas estão se configurando, mas como diz o ditado "santo de casa não faz milagres", então ler o que você escreveu, com certeza vai fazê-los refletir melhor, afinal, você com seu blog cheio de lucidez é uma verdadeira referência para nós.

    Abraço,

    Carol

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  4. Eu já disse que portas fechadas dev3em ser abertas. por isso fechem as portas das escolas companheiros. As nossas greves nuca são levadas a sério devido a covardia, desconehecimento das leis e somos uma classe considerada QUE TUDO ACEITA, turma de gatos que ficam no alto do muro, bananeiras, ou melhor COVARDES!

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  5. Boa tarde Euler,
    Adorei o blog , você é um lutador, luta em busca de seus direitos e de milhares de servidores da educação , não somente até ai , li as advertência que você fez aos visitantes do teu espaço.
    Também sou professora, educadora, massacrada pela perversidade do governo Aécio/Anastasia.
    Qd tiver um tempinho visite , será um prazer reber tua visita na minha página.
    Parabéns pela luta, divulgação e pelo BLOG.
    Voltarei mais vezes.
    Um abraço de admiração a vc..
    parabéns!!!!!!!!!!!!
    Maura

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  6. O LUGAR ONDE EU MORO – (MAIO DE 2010 )



    O lugar onde eu moro professor do estado não é valorizado;

    Do lugar de onde eu venho tenho curso superior específico para lecionar e meu piso salarial é de R$ 545,00;

    No lugar de onde eu venho estou há mais de 10 anos sem ter reposição salarial;

    È neste mesmo lugar que o Governo de Minas diz não ter dinheiro em caixa para melhorar o salário dos professores, mas gasta dinheiro o tempo todo com propagandas fictícias na TV sobre educação em horário nobre;

    No lugar onde eu vivo ninguém nunca viu nenhum professor estadual na TV sorrindo e falando bem da situação a que passam;

    Do lugar de onde eu venho os professores estão humilhados e passando dificuldades financeiras;

    E é neste mesmo lugar que toda semana tem relatos de agressão a professores dentro da escola.

    Pedimos a todos que repassem essa mensagem precisamos da internet pois não temos voz na mídia.

    Professor não se cale mais a internet é uma rede mundial de computadores faça também o seu protesto.Obrigado a todos.

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  7. Oi, Carol!

    Sua visita ao nosso blog nos honra e aumenta ainda mais a nossa responsabilidade. Tenho esperança de que a gente consiga grandes conquistas nessa luta. A luta em si já é uma conquista. A paciência para vencer, também. Tomara que tenhamos - todos nós - clareza para entender o momento e tomar a decisão acertada.

    Um abraço carinhoso!

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  8. Olá colega Mary Maura!

    É um prazer receber sua visita. Já dei uma visitada no seu blog e gostei muito. Até me tornei seguidor. Vou visitá-lo com mais tempo depois, pois é grande e diversificado o rico conteúdo do mesmo.

    Parabéns e força na luta!

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  9. Olá Eliane!

    O lugar onde nós moramos está mudando em grande parte graças à nossa greve, não acha?

    Um abraço e obrigado pela visita!

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  10. Será?????? Se continuarmos e infrentarmos o que vier, aí sim poderemos dizer pela primeira vez: nós conseguimos mudar grande parte da educação. Somos considerados os profissionais formadores de cidadãos críticos,éticos, criativos, capazes de fazer suas próprias escolhas e somos os responsáveis também na formação de profissionais em todas as áreas de trabalho. Desculpem-me pelas engolidas de letras e digitação, pois digito no calor da revolta e acabo atropelando o português. Obrigada a vc pelo espaço e a todos que estão nesta luta, que concordam ou não com que escrevo e sinto.

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  11. EULER,

    OBRIGADA POR SUAS EXPLICAÇÕES AQUI E NO MEU EMAIL.

    APESAR DE NÃO ESTÁ AGORA, CONSEGUINDO ARTICULAR UM RACIOCÍNIO COERENTE, E FICAR SOFRENDO PRECIPITADAMENTE( SOU ASSIM,SOFRO ANTES), TEMOS QUE TROCAR INFORMAÇÕES COM QUEM ENTENDE DO ASSUNTO. E VC ESTÁ SENDO PARA MIM UM PROFESSOR, COLEGA! SEMPRE PONDERADO, COERENTE E PAUTADO NA REALIDADE E NAQUILO QUE É DE DIREITO.

    OBRIGADA POR ME PROPORCIONAR TANTAS AULAS DE CIDADANIA EM TÃO POUCO TEMPO!!!

    VOU ME ACALMAR!!! PROMETO PRA MIM MESMA!

    VAMOS VER QUE RUMO AS COISAS VÃO NOS DIRECIONAR E PEDIR QUE TENHAMOS A LUCIDEZ PARA DECIDIR O QUE FOR MELHOR PARA A CATEGORIA NA HORA CERTA.

    A LUTA AINDA NÃO ESTÁ ACABADA, NÃO É MESMO????

    UM ABRAÇO!

    CRIS!
    OBS:AMANHÃ, A REUNIÃO EM VESPASIANO SERÁ AS 5 DA TARDE?

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  12. Oi, Cristina, não tem que agradecer. Eu aprendo muito com vc também. Além disso, a sua incansável busca em encontrar soluções para os problemas que estão colocados merece toda a nossa admiração. A ansiedade é comum a todos nós, que queremos respostas para nossa luta, de um governo que parece de pedra, sem alma, mas que vai tendo que abrir pequenas brechas para as nossas reivindicações.

    O importante é que a luta continue, sempre!

    Um forte abraço.

    Ah, a reunião será sim, às 17h, na sede do sind-UTE Vespasiano-São José (rua Bahia, 77, Célvia)

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  13. Éisso. Você é 10.Tudo que precisamos é de reconhcimento profissional financeiro e chega de descaso ,afrontas e humilhações.somos tratados como indigentes. não temos defesa social nem políca.Até parece que não lutamos por isso desde que ingressamos na educação.Estou nela há 24 anos porque sempre achei que é a patir dela que seremos tratados e trataremos as pessoas com dignidade.nossos representantes tinham que está pregando essa filosofia para nosdar exemplos.

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  14. Oi Euller!!! Recebi seu texto por email de um amigo professor. É a primeira vez que visito o seu bolg.Sou professora na cidade de Manhuaçu. Estamos na luta contra o governo Aécio/ Anastasia e em busca do nosso reconhecimento profissional. Gostei dos seus comentários.Muita luz para você.

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  15. Estimado Euler,

    Q a força q impulsiona a sua luta seja capaz de contaminar os profissionais da saúde. Parabéns!
    Meu abraço com toda a admiração!
    A luta certamente é de todos!!

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